quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Conheça os principais modelos de gestão em escritórios de advocacia

O aumento da competitividade no setor jurídico revelou a necessidade de profissionalização da gestão de escritório de advocacia. A modernização do Judiciário, a partir da implantação dos processos digitais, tem feito os advogados gestores compreenderem a importância de adequar a estrutura organizacional e administrativa da banca de forma semelhante à de uma organização empresarial
Por meio da utilização da tecnologia, que cada vez mais contribui para a modernização na gestão de escritório de advocacia, foi possível otimizar algumas das principais atividades rotineiras. Com isso, o gestor passou a se dedicar inteiramente ao sucesso da banca e promover estratégias que garantam a inovação constante do modelo de gestão.

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Dessa forma, o desafio da gestão de escritório de advocacia se torna ainda maior para os profissionais do direito, que devem ir além da performance técnica para garantir a qualidade dos serviços prestados. Eles precisam dedicar tempo e atenção para estruturar o modelo de gestão ideal para seu escritório. Como há vários modelos de gestão, convidamos Marcelo Silveira, gerente de Marketing e Desenvolvimento Humano e Organizacional da Softplan, para esclarecer os pontos que devem ser avaliados ao adotar os modelos citados a seguir.

Conheça as características dos modelos recomendados para a gestão de escritório de advocacia

Gestão Vertical
Esse modelo centraliza o comando e o controle das atividades. Está associado à uma estrutura hierárquica bem definida, em que as atividades são demandadas por uma abordagem top-down (de cima para baixo), o que significa que as decisões são tomadas unilateralmente e refletem em todas as camadas hierárquicas seguintes. Para Marcelo Silveira, esse modelo implica na burocratização das atividades.

"O modelo de gestão vertical é o modelo tradicional, realidade da maioria dos escritórios de advocacia e das empresas brasileiras. Os problemas desse modelo são conhecidos: colaboradores infantilizados, lentidão nas decisões e nas ações da organização, e dificuldades na comunicação", ressalta.


Quando comparado com a gestão horizontal, o modelo de gestão vertical demonstra estar ultrapassado. Mesmo assim, Silveira destaca a necessidade da avaliação do gestor sobre a viabilidade de implementar uma mudança na cultura organizacional da empresa.

"É necessário avaliar o quanto a organização está perdendo com o modelo tradicional, em termos de tempo, energia dissipada, dinheiro desperdiçado e outros. Se o escritório concluir que o desperdício nesse sentido é muito grande, é hora de buscar uma solução. Uma das possibilidades é o uso do modelo de organização horizontal (flat organizations)", explica o gerente de Marketing e Desenvolvimento Humano e Organizacional da Softplan.

Gestão Horizontal
O modelo de gestão horizontal, adotado e difundido principalmente pelas empresas de tecnologia, incentiva a valorização do trabalho colaborativo e a multidisciplinaridade das equipes responsáveis por um setor ou projeto específico, como explica Marcelo SIlveira.

"Não se trata simplesmente de um downsizing (achatamento) da pirâmide organizacional. O modelo de gestão e organizações horizontais baseia-se fundamentalmente no empoderamento dos colaboradores, que passam a não depender de um superior para que atuem dessa ou daquela forma. Ou seja, as pessoas têm um maior poder de decisão, o que torna a organização mais ágil e elimina a necessidade da criação de níveis hierárquicos e mecanismos de controle", explica Silveira.

Ainda segundo o gerente da Softplan, a adoção deste modelo implica em mais responsabilidade, já que todos os profissionais se comprometem com o planejamento, com a execução das atividades e com os resultados obtidos. As decisões são tomadas de forma colaborativa, por consenso entre todos os integrantes da equipe.

"Neste modelo, as pessoas precisam ser preparadas para assumir a responsabilidade pelas próprias decisões, ainda que algumas delas sejam compartilhadas. Portanto, cabe ao líder preparar a equipe para essa mudança. Isso passa por, inicialmente, discutir as decisões com seus liderados: como agiriam, baseadas em quais informações e que resultados esperam obter, por exemplo. Ou seja, compartilhar as decisões e acompanhá-las ocasionalmente, colocando-se à disposição para que as pessoas recorram a ele, ainda que não haja mais uma liderança efetiva. Outro aspecto importante é que os líderes acabam perdendo poder nesse modelo de gestão. Por isso, cabe também aos sócios do escritório trabalharem essa mudança de mentalidade, reforçando os ganhos para todos", argumenta Silveira.

Estímulo ao intraempreendedorismo
A adoção da gestão horizontal, de forma total ou parcial, visa principalmente a redução de interferências e de atrasos decorrentes da relação entre setores e níveis hierárquicos estabelecidos. Isso ainda garante maior engajamento dos profissionais, estimulando o "intraempreendedorismo no escritório".

"Pela natureza do trabalho e também pelo tipo de colaborador, a gestão horizontal é de longe a que pode proporcionar maiores benefícios para o escritório. Ela permite maior agilidade e flexibilidade da empresa, maior autonomia e satisfação do colaborador, e melhoria na qualidade da comunicação dentro da companhia, tanto com seus clientes quanto com o mercado. No entanto, cabe ressaltar que, como toda mudança, essa também traz consequências. Por isso, esse custo deve ser claramente dimensionado. Há o risco, por exemplo, de perda de alguns colaboradores, que não se adaptam ao novo modelo e acabam abandonando a empresa". finaliza Marcelo Silveira.

Os dois modelos podem ser adotados na gestão do escritório de advocacia. No entanto, cabe ao gestor avaliar qual deles se adequa à realidade organizacional da banca e como podem contribuir para o desenvolvimento da equipe, levando em consideração a estrutura e o grau de maturidade da gestão.

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