quinta-feira, 23 de março de 2017

Conheça as tecnologias responsáveis por prever o tempo

Centro de Análise e Previsão do Tempo, um dos locais essenciais no trabalho do Inmet

As condições climáticas influenciam no cotidiano, seja para a prática de esportes ao ar livre, um passeio no clube, que roupa vestir, levar ou não guarda-chuva, qual o melhor momento para o plantio e colheita de grãos, e até preparativos contra perigos naturais. Mas, afinal, você sabe como é feita a previsão do tempo?


Os primeiros instrumentos meteorológicos foram desenvolvidos em meados do século XVIII pelos pensadores daquela época, como o francês Jean Baptiste de Monet e o italiano Evangelista Torricelli.

Os instrumentos são utilizados para coletar dados meteorológicos. O termômetro mede a temperatura do ar; a pressão atmosférica é medida pelo barômetro e o higrômetro fornece os dados da umidade relativa do ar. A união desses instrumentos em um mesmo local é denominada estação meteorológica, e o conjunto dessas estações distribuídas por uma região é chamada de rede de estações meteorológicas.

Atualmente, a tecnologia é largamente aplicada na previsão do tempo. Tudo se inicia com dados observacionais, como temperatura, umidade, vento e pressão atmosférica. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é o órgão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento responsável por fornecer informações meteorológicas à sociedade brasileira. O trabalho do Inmet influencia no processo de tomada de decisões em várias áreas.

A estrutura organizacional, com sede em Brasília, inclui cinco Coordenações e dez Distritos de Meteorologia, distribuídos nas capitais estaduais. O propósito é estabelecer parcerias e melhor atender os usuários de todo país.


Meteorologista do Inmet, Morgana Almeida enfatiza a importância da tecnologia para seu trabalho

A meteorologista do Inmet Morgana Almeida explica que nem sempre é necessária a presença de um funcionário nas estações de medição. “Nós temos dois tipos de estação, a primeira é a estação meteorológica automática, que é autônoma e seus sensores são digitais, onde através de satélites os dados são transmitidos de hora em hora. A outra estação é a convencional, que precisa de uma pessoa física para fazer as leituras, pois os sensores são analógicos”.

O órgão colabora, em termos de orçamento, com a estação de ar superior. De responsabilidade da Aeronáutica, essa leitura é feita por meio de um balão cheio de gás e usado para estimar a direção e a velocidade dos ventos à medida que se eleva na atmosfera. “Podem ser adicionados a eles instrumentos sensíveis à variação da pressão (barômetro) e temperatura (termômetro), e um transmissor de rádio. Assim, esse balão passa a ser chamado de radiossonda”, acrescenta Morgana.

Todas essas estações concentram os dados no Instituto de Brasília. As informações de toda América do Sul chegam ao Inmet e são retransmitidas para Washington nos Estados Unidos, local onde os dados do mundo todo são agregados. O Inmet esclarece que tempo e clima são situações diferentes. Segundo Morgana Almeida, as pessoas confundem os dois termos achando que possuem a mesma definição. “Tempo é o estado atual da atmosfera, já o clima é uma sequência desse tempo ao longo dos anos, e só se constrói clima quando eu tenho a história do tempo registrado”, esclarece.

Como chegar a previsão

Além das observações e dos satélites meteorológicos, que são câmeras fotográficas responsáveis por registrar, do espaço, fotografias em tempo real do que acontece na atmosfera, existem os modelos numéricos, equações físicas e matemáticas que modulam o comportamento médio da atmosfera. Alimentados por dados e estações, esses modelos numéricos permitem que o profissional de meteorologia possa prognosticar o futuro.


Centro de Computação Meteorológica de Alto Desempenho (Supercomputador)

Para a realização desses modelos numéricos é necessário ter um parque computacional robusto. O Instituto Nacional de Meteorologia possui o Centro de Computação Meteorológica de Alto Desempenho, o chamado supercomputador. “O nosso parque computacional tem um supercomputador com uma capacidade de 56 teraflops, processamento que permite que sejam feitos 56 trilhões de cálculos por segundo”, afirma a meteorologista. Essas rotinas de processamento dos dados chegam a cada 6 horas. Eles são reprocessados no modelo numérico fazendo prognósticos de até 7 dias.

É preciso ter uma tecnologia apurada para se fazer meteorologia, declara o consultor em Tecnologia da Informação do Inmet, José Maurício. “São volumes de dados elevados, porque além do processamento dos dados, é preciso que sejam feitos todo o armazenamento das informações, caso um dia seja necessária a utilização”.

O agricultor José Inácio, 54, sempre consulta a previsão do tempo para que o plantio e a colheita sejam produtivos. “Precisamos, na maioria das vezes, fazer o plantio no início de um período de chuvas, porque as sementes precisam de água para germinar, por outro lado, a previsão de enchentes, de geadas ou de falta de chuvas pode evitar prejuízos”. Já a jornalista Viviane Fernandes, 42, utiliza o trabalho do Inmet para planejar as viagens. “Essa previsão pode nos ajudar a se programar. Consulto sempre quando estou indo à praia ou para lugares com climas instáveis, para não ser pega de surpresa”.

Na vida moderna a meteorologia é uma informação essencial. “Costumo fazer uma analogia de que a previsão do tempo é um grande quebra cabeça, onde você vai montando pecinha por pecinha. A experiência do meteorologista é fundamental”, conclui Morgana Almeida.


Por: Raphael Borges
Foto: Raphael Borges

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