domingo, 19 de março de 2017

Fábrica do DF ajuda a ampliar mobilidade sobre rodas

Sem fins lucrativos, ICEP Brasil realiza desde simples remendo de pneus à fabricação de cadeiras de rodas



Conforto e mais qualidade de vida. Com o objetivo de dar assistência aos portadores de necessidades especiais do Distrito Federal, Sueide Miranda inaugurou em 1999 o Instituto Cultural, Educacional e Profissionalizante de Pessoas com Deficiência do Brasil (Icep Brasil). Localizado no SIA Trecho 3, a entidade é procurada por pessoas de todas as classes sociais, mas atende, na maioria, famílias com menor poder aquisitivo.

Os valores cobrados das pessoas que utilizam os serviços são atrativos em relação aos de mercado. Uma cadeira para banho – que custa, em média, R$ 400 no comércio – sai por R$ 255 quando comprada no Icep. A economia para o comprador é de R$ 145. “Nós não cobramos exatamente aquilo que deveria ser cobrado. O que as pessoas pagam mais aqui são repasses dos valores das peças que a gente compra, e atualmente não tem como mantermos isso totalmente de forma gratuita”, destaca o presidente da entidade, Sueide Miranda.

A fábrica realiza manutenção e fabricação de novas cadeiras de rodas

Embora o Icep realize trabalhos que podem ajudar muitos portadores de necessidades especiais, é pouco conhecido, já que não é possível fazer investimento em divulgação. De acordo com o diretor administrativo da instituição, Severino Rodrigues, a casa passa por problemas financeiros e teria dificuldades para atender uma grande demanda de clientes. Atualmente, não conta com qualquer ajuda financeira e nem apoio do governo do Distrito Federal.

No entanto, de 2007 a 2010, foram entregues mais de 4 mil cadeiras de rodas após parceria entre o Icep Brasil e o GDF. Com o fim deste contrato, o instituto vem utilizando recursos próprios para dar continuidade ao trabalho.

O aposentado Luiz Carlos Mathias, 59, amputado da perna direita desde os 19 anos, recebeu recentemente de forma gratuita uma nova cadeira de rodas, adaptada e feita sob medida. “Eu estava precisando de uma cadeira urgente e não iria ter condições de comprar”, admite. “A dificuldade é grande. Além das continhas do dia a dia, tenho uma família que depende do pouco que recebo do INSS e o Icep me ajudou muito me doando a cadeira”, ressalta.

Sem apoio financeiro, o instituto pode deixar de prestar os serviços aos cadeirantes

Trabalhando na fabricação das cadeiras do instituto há mais de 10 anos, Claudivan dos Santos, 30, faz questão de destacar: “Para mim, é uma satisfação poder produzir os equipamentos, saber que o serviço que estou prestando ao Icep contribui de forma positiva na vida desses usuários é gratificante”.

Futuro incerto

O Presidente do Icep Brasil tem receio de não conseguir manter o projeto. Ele admite que a entidade está vivendo a pior crise desde a sua fundação. “Se fazemos um papel que deveria ser do Estado, eu não entendo porque ele nos deixa fragilizado desse jeito, a tempo de fechar as portas”, ressalta Sueide Miranda.

Hoje a fábrica consegue fazer de 10 a 15 doações de novas cadeiras por ano, um número pequeno quando comparado aos anos anteriores. O instituto chegou a doar até 100 cadeiras em um ano. O Portal de Jornalismo entrou em contato com o governo do Distrito Federal para repercutir a situação do Icep, mas não obteve resposta até o fechamento da reportagem.

“Se eu fechasse hoje, daria por cumprida a minha missão. Mas muitas pessoas precisam de apoio do instituto para ter uma vida melhor, e não vou desistir”, diz Sueide Miranda, que busca forças na solidariedade do ser humano com doações.

Para contribuir com o projeto, basta entrar em contato com o Icep Brasil pelo telefone (61) 3031 1700. Qualquer ajuda é muito bem vinda. “Estou colocando na mão de Deus para que novas portas possam se abrir”, conclui o presidente da entidade.

Serviço:
ICEP Brasil – “Instituto Cultural, Educacional e Profissionalizante de Pessoas com Deficiência do Brasil”
Telefone: (61) 3031 1700

Por Raphael Borges.

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