quarta-feira, 5 de abril de 2017

Brasileiros cursam medicina no exterior

Facilidade para ingressar em universidades da América do Sul tem atraído cada vez mais estudantes



Países da América do Sul são os destinos escolhidos por brasileiros para cursarem medicina. O preço baixo das mensalidades e a facilidade para entrar é o que mais chama a atenção dos estudantes. Para ingressar nas universidades sul-americanas, é necessário fazer um curso de nivelamento que, em alguns casos, é de apenas três meses, o chamado Módulo de Inclusão Universitária (MIL). Em geral, são cobrados conteúdos como Direitos Humanos e Saúde Pública, mas sem caráter eliminatório. Outras universidades possuem testes próprios com conteúdos básicos como matemática, química, biologia, nutrição, primeiros socorros e anatomia. Algumas instituições possuem ainda outras matérias como idiomas e história. Mesmo sem a aprovação nas provas e cursos, o estudante pode se matricular na universidade, tudo serve como uma introdução.

O universitário Wheygles Bueno, de 20 anos, diz que prestou vestibular para 13 instituições no Brasil, mas que não conseguiu passar. no curso desejado. ”Consegui bolsa de odontologia no Prouni algumas vezes, mas não era o que eu queria”, explica. Ele ainda afirma que o curso de medicina fora do país é frequentado apenas por quem quer seguir a profissão. “Aqui na Argentina você consegue perceber que não é uma profissão supervalorizada, cursa quem gosta de cuidar dos outros”, observa. Hoje ele está no quinto período na Universidad Nacional de Rosário e garante que mesmo com gastos de alimentação e moradia e a barreira do idioma, vale a pena.


O estudante Breno Santos, de 23 anos, tentou vestibular apenas uma vez na Universidade Federal de Brasília (UnB) e, devido ao resultado negativo, decidiu ir para fora do país. “Vi o quanto era difícil e fui logo pesquisar e encontrei opções mais simples e baratas”, afirma. Segundo ele, a facilidade de ingressar em universidades do exterior foi o que mais chamou a atenção. “Quando comecei a procurar sobre essas universidades me encantei pela facilidade de ingressar e o quão barato era para cursar”, diz ele. Ele irá iniciar o curso de medicina no início de abril, na Universidad Politécnica y Artística del Paraguai (UPAP). “O preço das mensalidades estão mais em conta do que no Brasil”, explica. O valor mensal será de mil guaranis, cerca de 500 reais.

Segundo a assessoria do Ministério da Educação (MEC), todos os estudantes formados no exterior que queiram atuar como médicos no Brasil precisam fazer o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos obtidos no exterior (Revalida), para a revalidação dos diplomas. Ainda de acordo com a assessoria, em 2016, 2.349 brasileiros fizeram a prova que inclui três fases com dez testes práticos em diferentes áreas clínicas. Bolivianos (771), colombianos (248), cubanos (183), venezuelanos (142), peruanos (133) e argentinos (109) vem em seguida.

A Assessoria do Conselho Federal de Medicina (CFM) diz que a entidade apoia a revalidação de diplomas e que todos os estudantes devem passar pela prova para assegurar o bem estar dos pacientes. “È muito importante ter médicos no Brasil que saibam da realidade do país por isso devem revalidar esses diplomas”, explica. Ainda segundo a assessoria, no Brasil os estudantes de medicina estudam situações comuns nos postos de saúdes e prontos socorros de cada região, o que não acontece em outros países, por isso é tão importante validar esse diploma. “Expor se o medico passou ou não no Revalida é o essencial”.

Por Samuel Lucas

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