domingo, 9 de abril de 2017

Empreendedorismo à domicílio

Cresce o número de profissionais que escolhem prestar serviços na casa do cliente. Além do menor custo, flexibilidade da agenda é atrativo.

No quarto trimestre de 2016, 22 milhões de pessoas trabalhavam por conta própria no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) do IBGE. Um aumento de 374 mil pessoas em relação ao quarto trimestre de 2014. Em Brasília, o número saltou de 236 mil no quarto trimestre de 2014 para 255 mil empreendedores que exploram um empreendimento próprio, sozinhos ou com sócios, sem empregados, no mesmo período de 2016.

Nessa categoria, se enquadram profissionais que decidiram prestar seus serviços na casa do cliente, sem uma loja ou clínica física. Assim, conseguem eliminar custos fixos com aluguel, energia elétrica, internet e funcionários.

Segundo o Portal do Empreendedor da Secretaria Especial da Micro e Pequena Empresa, o atendimento porta a porta, em postos móveis ou por ambulantes, representa 24% dos microempreendedores individuais do Brasil. A maior parte desses profissionais contam com as redes sociais e o celular como grandes aliados para impulsionar o negócio.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, mais de 22 milhões de brasileiros trabalham por conta própria

O veterinário Iedo Brito explica que um negócio móvel não significa que o empresário não terá custos. Para prestar seus serviços na casa do cliente, o dono da empresa Veterinário em Casa investiu em materiais, caixas de transporte, um aparelho de ultrassom e o carro foi adaptado. Os custos com gasolina e com a manutenção do veículo também devem ser levados em consideração.

“O atendimento a domicílio é um pouco mais rentável. Se por um lado, não tenho custos com aluguel e funcionários, por outro eu atendo menos pacientes por dia. Eu dedico mais tempo para a consulta e também tem o tempo de deslocamento”, explica. Enquanto em uma clínica a média diária é de 25 atendimentos por dia, o profissional costuma atender entre 8 e 12 animais diariamente.

A flexibilidade na agenda é uma das vantagens destacadas tanto por Iedo quanto por Tassyla Silva. Publicitária, deixou a profissão para investir na paixão pela maquiagem e atualmente, ganha mais do que quando trabalhava com carteira assinada. Entretanto, a maior vantagem é poder aproveitar a filha de 11 meses.

“Eu queria uma renda que me deixasse mais livre, que eu tivesse retorno, mas que eu pudesse aproveitar a infância da minha filha. Hoje, eu concilio bem a rotina de mãe com a de profissional”, revela.

A publicitária Tassyla Silva abandonou a profissão para se tornar maquiadora atendendo clientes a domicílio

Atendimento personalizado

Um dos benefícios do atendimento à domicílio é o tratamento personalizado, no conforto de casa, principalmente para pessoas com dificuldades de mobilidade, como idosos, pessoas com deficiência ou em reabilitação pós-cirúrgica.

A fisioterapeuta Cássia Dalbosco Spaniol atende a domicílio há cinco anos. “No atendimento domiciliar, além de avaliar a saúde do indivíduo, observamos também toda rotina que ele vive, o mobiliário, estrutura do domicílio, pois em muitos casos precisamos sugerir adaptações no ambiente domiciliar para facilitar as atividades diárias”, afirma.

Quando necessário, a profissional conta com parceiros, como acupunturista, psicólogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogos e técnicos de enfermagem, para um atendimento multidisciplinar. O resultado são pacientes fidelizados, que não desistem do tratamento. “Tenho pacientes que estão comigo há cinco anos. Na fisioterapia, essa continuidade é importante. Também é comum atender vários membros da mesma família”, ressalta.

Mulheres com filhos pequenos também preferem receber o profissional em casa, conta a cabelereira Luanna Mendes. Depois de tentar empreender em vários tipos de comércio, investiu no atendimento em domicílio há um ano. Atende no horário que a cliente precisar. “Eu não deixo de ganhar dinheiro por falta de disposição. Atendo sábado, domingo, feriados, depois das 19 horas. Mesmo se um dia eu abrir um salão, continuarei a atender em casa”, assegura.

Planejamento

Leonardo Lombardi é acupunturista há 21 anos e atendeu exclusivamente à domicílio entre 2004 e 2009. Em 2014, abriu a Clínica Alkaest, especializada em Medicina Tradicional Chinesa, e atualmente, atende em casa os pacientes que tem dificuldade de locomoção. Para ele, a vantagem da clínica é ter a força de trabalho multiplicada.

O acupunturista Leonardo Lombardi atendeu exclusivamente a domicílio entre 2004 e 2009

“Quando você monta uma empresa, você tem a perspectiva de um ganho maior. Atualmente, atendemos 60 a 80 pessoas por dia. Se o autônomo tira férias ou viaja, por exemplo, ele deixa de receber. Qualquer oscilação tem um impacto direto e imediato no orçamento”, explica.

A crise financeira também foi um dos fatores para a abertura da clínica. A Alkaest é conveniada com seguradoras de saúde, já que Leonardo acredita que a população está cortando gastos considerados supérfluos, mas continuará usufruindo dos serviços cobertos pelos planos de saúde.

Planejamento é regra fundamental para o profissional que pretende investir no atendimento domiciliar. A fisioterapeuta Cássia, grávida de oito meses, precisou se organizar para a licença-maternidade. Além da vida financeira, montou um esquema para que todos os pacientes continuem a fisioterapia com profissionais parceiros.

Pensando nessas intercorrências, Tassyla se registrou como MEI – Microempreendedor Individual – o que garante auxílio maternidade, auxílio doença e aposentadoria.

Reservar recursos para investir em qualificação profissional também é um fator citado pelos entrevistados. Tassyla faz cursos e workshops de cabelo e maquiagem pelo menos a cada três meses. Já Cássia está fazendo a terceira especialização, em Fisioterapia Traumato-Ortopédica com ênfase em reabilitação funcional na UnB.

Microempreendedor Individual

Para se cadastrar como um microempreendedor individual é necessário faturar no máximo até R$ 60.000,00 por ano e não ter participação em outra empresa como sócio ou titular. O MEI também pode ter um empregado contratado que receba o salário mínimo ou o piso da categoria.

O registro dá direito a registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), o que facilita a abertura de conta bancária, o pedido de empréstimos e a emissão de notas fiscais, e garante a isenção dos tributos federais, enquadrando o MEI no Simples Nacional, com cobrança de um valor fixo mensal que varia entre R$ 47,85 a R$ 52,85, dependendo da área de atuação.

Mais informações no site www.portaldoempreendedor.gov.br

Por Ohanna Patiele.

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