domingo, 29 de janeiro de 2017

Proibidas de brincar em edifício, crianças participam de protesto em condomínio em Brasília

Restrição abrange espaço conhecido como “quadra do Supremo” por ter prédios funcionais da Justiça

Em tempo de manifestações, nem mesmo as crianças deixam de levantar a voz para cobrar seus direitos. Nesse caso, vale gritar ou bater tambor. Hoje, até fazer birra era aceitável. Quanto mais barulho, melhor. A algazarra é para protestar contra o condomínio do bloco H da 312 sul, em Brasília, que proibiu a criançada de brincar no pilotis do edifício.

A proibição é problemática porque os prédios de Brasília não podem ter grades. Todo o vão livre dos blocos é aberto por lei. Mudanças não podem ser feitas porque a cidade é tombada patrimônio histórico da humanidade.

Essa proibição do condomínio do bloco H ocorreu justamente na quadra conhecida como “quadra do Supremo” por ter prédios funcionais da Justiça. O apartamento que abriga o presidente da Suprema Corte fica no bloco em frente ao do protesto.

Além de fazer barulho, os pequenos podiam pintar o rosto, pular corda, comer pipoca ou algodão-doce, ganhar balão, correr, desenhar, fazer papel-machê ou qualquer outra atividade planejadas pelos pais.

A manifestação foi marcada no Facebook depois de divulgada a proibição. Segundo uma moradora, que preferiu não se identificar, nunca foi explicitado o veto de brincar embaixo do bloco. No entanto, ela comemora a mobilização das crianças:

É importante aprender a lutar por seus direitos. Brincar no pilotis é uma tradição de Brasília. Qualquer coisa, a gente troca o granito e coloca um mais barato.

Enquanto dizia isso, crianças de patinete e pais de skate deslizavam sobre o granito. Esse tipo de piso é muito comum nos blocos do Plano Piloto.

Manifestações infantis têm sido cada vez mais constantes em Brasília. Ganharam força em junho de 2013, quando o Parque da Cidade foi cenário para protestos dos pequeninos contra a corrupção.

Tomara que essa não tenha gás de pimenta — falou uma criança ao chegar ao protesto.

Fonte: O Globo.

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