segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

ARTIGO: Coisas que ecologistas não te contam

Renato de Paiva Pereira*

Mato Grosso, como o conhecemos hoje, seria absolutamente inimaginável sem certas descobertas

A transformação da agricultura em um período de mais ou menos 50 anos foi tão grande e tão benéfica, que tendo vivido este extraordinário período, achei interessante resumi-lo dentro do possível neste pequeno espaço.

A razão é tentar mostrar aos habitantes das cidades o lado bom do agronegócio, fazendo contraponto ao que ecologistas, artistas e parte da imprensa, quase sempre sem conhecimento prático, impingem como doutrina no urbano leigo. É preciso, eu penso, desmistificar a “religião” preservacionista e rebater a pregação dos ingênuos “evangelizadores” que nada sabem do campo. 

Pelo menos cinco coisas aconteceram neste período ( 50 anos) que transformaram completa e positivamente a relação do homem com a terra e influíram na oferta abundante de alimentos para uma população crescente.

A primeira, eu diria, foi o aperfeiçoamento e uso dos inseticidas e fungicidas. Sem eles a agricultura seria absolutamente inviável por essas latitudes. O número e variedade de insetos, doenças e fungos na região subtropical onde estamos é tão grande que, sem controle químico, inviabilizam a produção comercial de grãos.

Na sequência a fabricação e disponibilidade dos herbicidas determinaram melhor controle das ervas daninhas, substituindo as capinas manuais, inviáveis em lavouras extensas.

De quebra, os herbicidas viabilizaram o plantio direto, prática que revolucionou a agricultura. Este é um processo que permite a semeadura sem arar ou gradear a terra, práticas que costumam provocar erosão e facilitar a perda de nutrientes.

O uso intensivo do calcário e da adubação química (NPK) deram o passo seguinte, incorporando ao processo produtivo milhões de hectares de cerrado, antes totalmente inaproveitados e garantindo a produção continuada de alimentos.

A transgenia completou a revolução. Esta é uma tecnologia sofisticada que insere genes de outras espécies na planta dando-lhe resistência a herbicidas, vírus, pragas ou enriquecendo-a, por exemplo, com vitamina A.

As pessoas de modo geral não sabem é que essas tecnologias trazem um enorme benefício para o solo. Ao contrário do que afirmam os críticos do agronegócio, as terras estão cada vez mais próprias para o plantio, com mais matéria orgânica, melhor retenção e consequente infiltração das águas pluviais e menor erosão.

O Mato Grosso, como o conhecemos hoje, seria absolutamente inimaginável sem as 5 descobertas/tecnologias que mostramos acima: Inseticidas/fungicidas; herbicidas; plantio direto; calcário/fertilizantes e a transgenia.

Podem estar certos, caros leitores, de que o cerrado que vemos coberto de soja, milho e algodão está muito melhor em termos de estrutura de solo e fertilidade do que há 40 anos quando não era usado para agricultura.

Claro que mexemos um pouco na vida dos calangos e perturbamos a paz de lobos, jaguatiricas e cutias, mas para alimentar pessoas precisamos da agricultura e é impossível cultivar o solo sem interferir na natureza.

Os agricultores estão preocupados com essa interferência, por isso cada vez mais mantem as reservas legais e áreas de proteção permanente. Assim, sustentavelmente, melhoram o solo para as próximas gerações e, na medida do possível, preservam os animais, cuidando das matas e da saúde dos mananciais.

*Renato de Paiva Pereira é empresário e escritor.

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