quinta-feira, 2 de março de 2017

Carnaval do DF teve público de 1,5 milhão em 2017

Governo investiu R$ 880 mil de forma direta, mais R$ 1,5 milhão por meio da Lei de Incentivo à Cultura nos blocos e demais eventos. O número de ocorrências policiais para cada 100 mil foliões foi 15% menor do que no ano passado

Cerca de 160 mil pessoas estiveram no Babydoll de Nylon, na Praça do Cruzeiro, no sábado (25). Foto: Tony Winston.

O carnaval de rua em Brasília cresce a cada ano. Neste, 1,5 milhão de pessoas participaram da folia e, em 2016, 863 mil, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social. Esse número já representava alta em comparação a 2015 — 370 mil — e aos anos anteriores, quando essa quantidade não passou de 600 mil. O governador Rodrigo Rollemberg avaliou positivamente o andamento do carnaval 2017 em entrevista coletiva nesta quarta-feira (1º). “Tivemos a maior participação da história da população nas ruas, o que confirma uma vocação da cidade”, disse. “É importante para a economia, com um número grande de ambulantes trabalhando. Além disso, não tivemos nenhum homicídio registrado.”

De acordo com a Secretaria de Cultura, 128 blocos saíram às ruas. Somados às demais comemorações, foram 208 eventos em 24 regiões administrativas. O investimento direto do governo foi de R$ 880,8 mil, e 47 blocos receberam recursos da Lei de Incentivo à Cultura (LIC), no valor total de R$ 1,5 milhão. O secretário da pasta, Guilherme Reis, disse que Brasília atingiu um patamar maior da festa neste ano e listou pontos para aprimorar ainda mais o carnaval a partir de 2018. “Podemos melhorar o financiamento privado e a relação com os ambulantes e com os moradores das quadras residenciais.”
Trabalho integrado favorece planejamento do carnaval

Para garantir o sucesso do carnaval, com segurança e acesso aos serviços públicos de foliões e não foliões, 18 órgãos de governo trabalharam de forma integrada, sob as lideranças das Secretarias de Cultura, da Segurança Pública e da Paz Social e Adjunta de Turismo, da pasta do Esporte, Turismo e Lazer. As unidades fizeram várias reuniões de planejamento.

Policiais militares fizeram a segurança dos foliões nos blocos que ocorreram no Setor Bancário Sul na segunda-feira (27). Foto: Pedro Ventura.

Os blocos foram cadastrados antecipadamente pelo governo, que intermediou diálogos dos grupos com prefeituras de quadras, conselhos comunitários e outras organizações da sociedade. Houve duas audiências públicas e uma consulta on-line. Por meio desse trabalho, definiram-se os itinerários.

A Secretaria das Cidades cadastrou 1.061 vendedores ambulantes para os eventos de carnaval e pré-carnaval. Eles receberam treinamento com informações sobre segurança e legislação.

Os eventos apoiados pelos recursos da Cultura tiveram auxílio na contratação da estrutura do evento, como palcos, trios elétricos, iluminação, unidade de terapia intensiva (UTI), sonorização, tendas, carretas, grades, seguranças, brigadistas e banheiros. A LIC reverte parte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) e do Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISS) em financiamentos a projetos culturais.
Decreto estabelece regras para o carnaval a partir de 2018

Como parte de uma nova política de incentivo ao carnaval de Brasília, o governo publicou o Decreto nº 38.019, de 21 de fevereiro de 2017, que define conjunto de diretrizes para a folia a partir do próximo ano. A norma visa desburocratizar a folia.

Para isso, o número de documentos exigidos para os blocos será diminuído. O local para cadastro passa a ser único: o Centro Integrado de Atendimento ao Carnavalesco. Tudo isso acompanhado do fortalecimento da identidade e tradição das escolas de samba.
Segurança no carnaval definida com antecedência

O policiamento em cada festa foi definido com antecedência pela Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social de acordo com o tipo de evento e a quantidade de público esperada. De acordo com a secretária da pasta, Márcia de Alencar, foram feitas 563 ocorrências pelas órgãos de segurança. Ela calculou 49 registros para cada 100 mil foliões durante o carnaval 2017. Em 2016, a conta fechou em 78 registros para cada 100 mil foliões, quando houve 518 ocorrências. Segundo ela, houve queda de 15% de casos.

O SOS Criança Cidadã foi ferramenta para facilitar que crianças perdidas fossem encontradas pelos pais. Foto: Gabriel Jabur.

Entre os principais registros feitos pela Polícia Civil, 275 de furtos diversos, 93 de furtos de celulares e 63 de roubos a transeuntes. Não houve ocorrências de homicídios nem de latrocínios.

Segundo a Secretaria de Saúde, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) fez 149 atendimentos de sábado (25) a quarta-feira (1º). No Centro de Traumas do Hospital de Base, foram 277, entre eles, duas pessoas feridas por arma de fogo e duas por arma branca. Dezessete pacientes eram casos graves, e 34, de média gravidade.

A Secretaria de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude distribuiu 5 mil carteirinhas de identificação para os blocos, principalmente os infantis. Houve registro de apenas duas denúncias, uma de venda de bebidas alcoólicas e outra de suposto abandono de crianças. A Polícia Militar encontrou a mãe, que catava latinhas na Praça dos Prazeres e a orientou a seguir para casa com os filhos.

Órgãos de trânsito controlaram o fluxo de veículos na região dos blocos e fiscalizaram o consumo de álcool por condutores. Foto: Gabriel Jabur.

O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF), com apoio da Polícia Militar — abordou 489 veículos, 25 deles removidos para o depósito. Vinte e cinco motoristas alcoolizados foram autuados e cinco deles, encaminhados para a delegacia. Nove condutores estavam inabilitados e sete, com a carteira vencida ou suspensa.

Já o Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF) fez 163 autuações da Lei Seca e apreendeu 245 veículos durante o feriado.

Houve cinco mortes em acidentes automobilísticos no feriado — dois em rodovias e três em vias públicas. Nenhum deles, porém, está relacionado ao carnaval.

A Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb) atendeu os órgãos de segurança com 250 caixas de água, com um total de 6 mil copos. A Companhia Energética de Brasília (CEB) não registrou interrupção de energia nos locais de concentração de blocos de carnaval. O Serviço de Limpeza Urbano (SLU) retirou 95,073 toneladas de resíduos das ruas, resultado do trabalho de 1.906 garis.

Equipe da Agefis atua durante o Babydoll de Nylon, no sábado (25). Foto: Gabriel Jabur.

Com equipes fixas, a Agência de Fiscalização (Agefis) esteve em 73 blocos — aqueles com o maior número de público e cadastrados pela Secretaria da Segurança Pública. Os fiscais apreenderam 972 objetos, a maior parte bebidas comercializadas em garrafas de vidro. Os blocos Populares em Pânico, na 310 Norte, e Parque Sonoro, no Taguaparque, não estavam licenciados e acabaram multados em R$ 5.369,50 cada um. Ao todo, 221 auditores atuaram no carnaval.

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