sexta-feira, 21 de abril de 2017

Plano Piloto de Brasília completa 30 anos como Patrimônio Cultural da Humanidade

No mesmo ano em que são comemoradas três décadas do recebimento do título da Unesco, completam-se 60 anos da escolha do projeto urbanístico de Lucio Costa para a construção da cidade

Cruzamento dos Eixos Monumental e Rodoviário no início das obras de construção de Brasília. Foto: Mário Fontenelle/Arquivo Público do Distrito Federal – 1956/1957
O aniversário de 57 anos de Brasília é nesta sexta-feira (21), mas duas outras comemorações marcam 2017: os 60 anos da escolha do projeto de Lucio Costa para a nova capital federal e os 30 anos do reconhecimento do Plano Piloto de Brasília como Patrimônio Cultural da Humanidade.

A cidade, que foi a primeira obra do século 20 a ser tombada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), é dividida em quatro escalas de concepção urbana:
Monumental: fica ao longo do Eixo Monumental, da Praça dos Três Poderes à Praça do Buriti, com a concentração das principais atividades administrativas locais e federais.
Residencial: ao longo do Eixo Rodoviário (ou Eixão), com as superquadras, consideradas à época uma nova forma de morar, próximo a uma via.
Gregária: o ponto de encontro e de convivência do Plano Piloto, no centro da cidade. É onde ficam a Rodoviária do Plano Piloto, os Setores Bancário, Comercial, de Diversões, Hoteleiro e de Rádio e TV.
Bucólica: espalhada pelos espaços livres e arborizados, que dão a Brasília a característica de cidade-parque. No plano original, o principal local dessa escala é a orla do Lago Paranoá.

Em entrevista coletiva nessa quinta-feira (20) para destacar ações na área de cultura, o governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, citou a construção da cidade como “a maior demonstração da capacidade de realização do povo brasileiro”.

O Eixo Monumental é a representação da escala Monumental do Plano Piloto de Brasília e reúne os principais órgãos administrativos federal e local. Foto: Mary Leal.

Ações do governo de Brasília para cuidar do patrimônio

De acordo com o subsecretário de Patrimônio Cultural da Secretaria de Cultura, Gustavo Pacheco, o cuidado patrimonial leva em conta o passado e o futuro. “Temos que olhar para trás e manter o que herdamos e enxergar lá na frente, com projetos que mantenham a cidade como algo da população.”

Como exemplo, Pacheco cita o plano Orla Livre. O projeto do governo de Brasília de devolução da orla do Lago Paranoá para o público segue o planejamento de Lucio Costa, de manter o livre acesso ao local.

Na orla do Lago Paranoá e nos parque de Brasília, a escala Bucólica, característica da cidade-parque. Foto: Toninho Tavares.

Outra ação desta gestão ressaltada pelo subsecretário do Patrimônio Cultural é a revitalização do Setor Comercial Sul pela ocupação de espaços. A escala gregária do projeto indica aquele lugar como um dos pontos de convivência da cidade.
Programação para celebrar a data

Ainda neste ano, a Secretaria de Cultura planeja retomar o prêmio José Aparecido Oliveira, para ações de preservação e valorização do patrimônio.

O nome da premiação homenageia o governador do Distrito Federal de 9 de maio de 1985 a 19 de setembro de 1988, período em que Brasília virou patrimônio da humanidade.

Em dezembro, ocorrem as Jornadas de Patrimônio, organizadas em conjunto pelo governo de Brasília e a Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no DF (Iphan-DF). Mesas redondas e espetáculos musicais estão entre as atrações previstas para o mês em que se completam 30 anos do título.

O governo de Brasília ainda vai investir mais de R$ 7 milhões em quatro anos com educação patrimonial. Em março, foi fechado acordo de cooperação entre a Secretaria de Cultura, a Unesco e a Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores, para trazer consultorias especializadas ao DF.
Brasília tem 27 bens tombados individualmente

Em 1990, três anos após o recebimento do título pela Unesco, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional tombou o Plano Piloto de Brasília. A preservação, porém, não se limitou ao projeto de Lucio Costa.

Brasília tem 27 bens tombados individualmente pelo Iphan. Entre os mais representativos, estão o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal. Ainda do governo federal, há os Palácios da Alvorada, do Jaburu, da Justiça e do Itamaraty e seus anexos.

Os tombamentos, no entanto, não se limitam a prédios da administração pública federal. A reportagem visitou dois locais que preservam a memória do presidente da República responsável pela construção de Brasília, Juscelino Kubitschek.

São eles o Memorial JK, no Eixo Monumental, museu projetado por Oscar Niemeyer para retratar as vidas pública e privada do político; e o Catetinho, primeira residência estabelecida por Juscelino Kubitschek em Brasília. O projeto também é de Niemeyer.

A influência de Oscar Niemeyer se estende também à religião. São projetos dele a Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, sede da Arquidiocese de Brasília; e a Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, na 308 Sul, primeiro templo em alvenaria a ser erguido na capital.

Há ainda o Memorial dos Povos Indígenas, no Eixo Monumental. Trata-se de outro projeto de Oscar Niemeyer, feito para valorizar a cultura indígena do País.

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