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Além do Brasil, estudos da Proteção Animal Mundial foram realizados na Tailândia, Estados Unidos, Canadá e Espanha, para determinar a presença de genes que causam resistência a antibióticos em resíduos animais despejados por fazendas em cursos de água públicos ou no solo dos cinco países.



São Paulo, 22 de Abril  de 2022 - Uma pesquisa inédita conduzida no ano passado pela organização não-governamental Proteção Animal Mundial confirmou a presença de genes que causam resistência a antibióticos (ARGs) no ambiente ao redor de granjas intensivas na Tailândia, Estados Unidos, Canadá e Espanha. A mesma situação foi encontrada também no Brasil, em uma pesquisa similar conduzida pela organização e realizada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) nas cidades de Castro, Palotina e Toledo, no Paraná, no final de 2021. 

Os genes identificados causam resistência a medicamentos muito comuns utilizados para tratar importantes doenças infecciosas em pessoas. Para a organização, a solução é utilizar antibióticos em animais de produção de forma responsável, com o uso apenas terapêutico e banir o uso rotineiro de antibióticos.

Estima-se que mais de 60% dos antibióticos produzidos mundialmente são utilizados em animais de criação.  O uso em excesso e indiscriminado pode acelerar o desenvolvimento de bactérias multirresistentes nos animais e no meio ambiente.

Os genes de resistência a antibióticos são os elementos de construção das bactérias multirresistentes. Eles criam resistência antimicrobiana, a resistência de bactérias recorrentes aos antibióticos importantes para as pessoas. Isso significa que alguns antibióticos já são ineficazes em diversos lugares do mundo e a situação deve piorar no futuro.

“É alarmante que alguns ARGs encontrados em nossa pesquisa confirmam a resistência a antibióticos importantes para a saúde humana e, por isso, constituem grande preocupação não só para a Organização Mundial da Saúde, mas para toda a sociedade”, aponta Jacqueline Mills, Chefe Global de Agropecuária da Proteção Animal Mundial.

A análise da coleta de água, realizada pela pesquisa na Tailândia, Estados Unidos, Canadá e Espanha, apontam para a provável descarga de ARGs nos dejetos de suínos (esterco e urina) criados por fazendas industriais intensivas.  A prova é que a presença de ARGs é superior nas amostras coletadas em cursos d´água na jusante – ou seja, após as granjas de suínos, é diferente das amostras na montante  - ou seja, antes da água passar pela fazenda.

Na Espanha, as análises de águas subterrâneas próximas às granjas de suínos revelaram níveis muito elevados de ARGs, sendo que essas águas subterrâneas eram utilizadas no passado para o abastecimento de água para humanos em algumas regiões. Este estudo revelou também que amostras de águas de superfície na Espanha continham ARGs até 200 vezes os valores de referência.

Testes na Tailândia encontraram bactérias multirresistentes a cefalosporinas de terceira geração, fluroquinolonas ou colistina, além de cotrimoxazol, gentamicina, amicacina, trimetoprima-sulfametoxazol ou amoxicilina. Esta é a primeira descoberta de ARGs em granjas de suínos na Tailândia Central. 

Conclusões semelhantes em outras localidades

Nos Estados Unidos, os pesquisadores encontraram evidências amplamente disseminadas de ARGs conferindo resistência à tetraciclina e estreptomicina. Além disso, também foi encontrado ARGs conferindo resistência a macrolídeo, cefalosporinas, fluoroquinolona e possivelmente antibióticos carbapenêmicos. 

A pesquisa no Canadá documenta o que a Proteção Animal Mundial acredita ser a primeira descoberta em Manitoba de ARGs que confere resistência a cefalosporinas, fluoroquinolonas, macrolídeos e tetraciclina. Os resultados refletem conclusões semelhantes em outros locais.

Já no Brasil, o material coletado próximo às granjas no Paraná mostrou uma presença especialmente grande de genes resistentes a antibióticos críticos para a saúde humana, como é o caso da cefalosporina, da ciprofloxacina e da penicilina.  

O médico-veterinário e coordenador de Bem-Estar da Proteção Animal Mundial, Daniel Cruz, explica que a resistência antimicrobiana vem crescendo muito. “Sabemos desse problema global da resistência bacteriana e os dados apresentados em todas as pesquisas confirmam que se trata de um fenômeno mundial e que requer preocupação”, afirma.

Para Cruz, a solução é desenvolver e implementar políticas e normas para empresas e governos. “Precisamos utilizar os antibióticos de forma responsável, uso apenas terapêutico e banir o uso rotineiro de antibióticos.  A dependência do uso excessivo de antibióticos só cessa quando há transformação nos sistemas produtivos”, destaca.   “Acreditamos que essas engrenagens tem que se movimentar de maneira conjunta para atender esses pedidos que estamos fazendo”, diz.

Preocupação da OMS

A crescente resistência antimicrobiana é uma questão que vem sendo acompanhada de perto pela Organização Mundial da Saúde, que promove anualmente a “Semana Mundial de Conscientização sobre a Resistência Bacteriana”. No link https://www.who.int/campaigns/world-antimicrobial-awareness-week há mais informações.   

“A saúde e o bem-estar dos animais, das pessoas e de nosso planeta são interdependentes. Só será possível estabelecer um sistema alimentar humano e sustentável se os governos e a indústria tomarem medidas para proteger a todos”, salienta Jacqueline Mills, da Proteção Animal Mundial. 

Abaixo, no link, o Relatório “Bactérias multirresistentesem um rio próximo de você”, produzido pela ONG Proteção Animal Mundial : https://dkt6rvnu67rqj.cloudfront.net/sites/default/files/media/Relatorio_Bact%C3%A9rias-multirresistentes-em-um-rio-pr%C3%B3ximo-de-voc%C3%AA.pdf


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