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Com avanço da vacinação, nenhum paciente morreu pela doença no Hospital Marcelino Champagnat nos meses de maio e junho deste ano; em 2021, foram 55 mortes no mesmo período


O número de doentes que precisaram de ventilação mecânica no Hospital Marcelino Champagnat caiu de 61% para 39%
Créditos: Divulgação

O perfil dos pacientes internados devido à covid-19 no Brasil mudou em 2022, se comparado aos anos anteriores da pandemia. No Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR), nos meses de maio e junho deste ano, o número de internados foi menos de 10% do registrado no mesmo período de 2021, passando de 274 para 23. O número de doentes que precisaram de ventilação mecânica também caiu, de 61% para 39%.

“Nós registramos uma grande procura por conta de síndromes respiratórias com a chegada do frio, mas a maioria foi ocasionada por outros vírus, diferentes do coronavírus. Pela covid, a maior parte dos pacientes que procuraram o hospital foram casos mais leves e que não precisaram de internação nem em leito clínico, nem de UTI”, conta o intensivista e gerente médico do hospital, Jarbas da Silva Motta Junior. 

Impacto da vacinação

No primeiro ano da pandemia, além de hospitais cheios, a necessidade de cuidados de alta complexidade era muito maior, com uso de procedimentos como a ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea), que funciona como pulmão ou coração artificial. O procedimento só é utilizado após esgotadas todas as alternativas de tratamento, principalmente fisioterapia e ventilação mecânica. No primeiro ano da pandemia, 11 pacientes utilizaram o suporte no Hospital Marcelino Champagnat, uma explosão perto da média que era de dois pacientes anuais até então. Em 2022, nenhum paciente foi submetido ao tratamento com ECMO devido a problemas decorrentes da covid-19.

“A vacinação é o que fez mudar esse quadro do perfil dos pacientes. Mesmo com novas cepas mais contagiosas, como a ômicron, deltacron e outras, as pessoas contaminadas estão conseguindo fazer o tratamento em casa. Mas é importante que cuidados como uso do álcool em gel e isolamento em caso positivo da doença, sejam mantidos”, complementa o médico.

Idosos com comorbidades

A média de idade dos pacientes subiu, passando para mais de 70 anos e 71% deles com comorbidades. Esse foi o caso do casal Albanita e Izan Bauer, de 83 e 87 anos. Os idosos foram internados juntos por covid-19 e, apesar da idade avançada e comorbidades, se recuperaram sem a necessidade de terapia intensiva. 

“O que fez a diferença para a recuperação do seu Izan e dona Albanita foi o ciclo de vacinas completo para covid-19. Se fosse no cenário que tínhamos antes da pandemia, dificilmente eles teriam alta hospitalar tão rápida sem passar pela UTI”, comenta a médica clínica Larissa Hermann Nunes, que cuidou do casal durante a internação. “As pessoas ficaram muito tempo mais isoladas, com máscara, e agora começaram a circular em mais ambientes e sem a proteção da máscara, e isso, associado ao frio, faz com que as pessoas fiquem em ambientes mais fechados causando um aumento das síndromes respiratórias. A exposição a outros vírus, como o da gripe, voltou, por isso ressaltamos tanto a importância das vacinas não só da covid como a da gripe”, finaliza. 

 

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