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David Fernando Santiago Villena Del Carpio*


Quando Bush filho declarava o início da Guerra Global ao Terror, após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, não imaginava que essa operação iria se estender por mais de 20 anos e que, todavia, o inimigo mundial número 1 continuasse vivo. Desde a invasão ao Afeganistão em 2001, os Estados Unidos e seus aliados se viram envolvidos em uma caça a terroristas internacionais que ameaçavam os direitos e as liberdades que o Ocidente representa (liberdade religiosa, democracia, igualdade de gênero etc.). Por outro lado, os terroristas revidaram executando atentados em centros de cidades, destacando o atentado no metrô de Madri, em 2004, ou a explosão de uma bomba perto do Stade de France, em 2015. 

É importante ressaltar que o inimigo aqui não é um grupo específico, mas o terrorismo internacional em si, o que torna difícil saber quando a Guerra Global ao Terror vai finalizar. Uma característica do terrorismo é a grande autonomia que as diferentes células têm, razão pela qual não estão sujeitas a nenhuma estrutura hierárquica de comando. Ainda que haja várias “filiais” da al-Qaeda operando em outras regiões, como o Magreb ou o Chifre da África, isso não significa que essas “filiais” dependem da matriz. São tão autônomas que podem se transformar em grupos independentes, tal como aconteceu com o Daesh, mais conhecido como Estado Islâmico. Dessa forma, matar o líder da al-Qaeda não significa que o líder do terrorismo mundial morreu, mas que um dos muitos grupos terroristas existentes terá que escolher um novo líder.

O que muda com a morte de Ayman al-Zawahiri? Podemos dividir em dois grupos: os efeitos sobre a al-Qaeda e sobre os Estados Unidos. Para a al-Qaeda, ainda que a morte do líder signifique uma grande perda, em termos práticos, nada muda. Um novo líder será eleito, assim como foi feito após a morte de Bin Laden, em 2011, e se transformará no novo alvo por parte do exército norte-americano. Talvez o grupo enfraqueça, mas, de forma alguma, o terrorismo internacional vai desaparecer da política internacional.

Para o governo norte-americano representa um desafio. Agora ficou explícito que o regime Talibã continua mantendo laços com os grupos terroristas, apesar do Acordo de Doha de 2020, assinado entre os Estados Unidos e o Talibã, pelo qual as tropas norte-americanas se retiraram do Afeganistão em troca da promessa do governo talibã impedir que a al-Qaeda opere em território sob seu controle. Nessa perspectiva, os Estados Unidos podem se sentir encorajados a realizar mais operações desse tipo para eliminar líderes terroristas. Afinal, essa operação pode ser rotulada como um grande sucesso, por não ter causado ferimentos às pessoas que, nesse momento, encontravam-se na mesma residência que al-Zawahiri. Por outro lado, um retorno das tropas ocidentais ao Afeganistão estaria descartado pelo desgaste que a administração Joe Biden está tendo nos assuntos internos dos Estados Unidos.

No entanto, a al-Qaeda não é o único grupo terrorista que merece nossa atenção. O apoio que os Estados Unidos dão a Israel favoreceu o surgimento de vários grupos fundamentalistas islâmicos, que se transformaram em grupos terroristas, no mundo todo. Alguns chegaram a desestabilizar a região do Oriente Médio, como foi o Daesh, o qual era uma ramificação da al-Qaeda, na região da Síria e Iraque. Outros, como Boko Haram ou Hezbollah, têm um efeito mais regional do que al-Qaeda. Entretanto, quando se trata de combater os Estados Unidos, esses grupos compartilham interesses e objetivos.

*David Fernando Santiago Villena Del Carpio, doutor em Direito, é professor do curso de  Relações Internacionais na Universidade Positivo (UP).

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