Após crescimento provocado pela pandemia, pequenos negócios no país ainda têm presença online limitada

 A pandemia da COVID-19 acelerou a digitalização nas empresas brasileiras, mas ainda há desafios para ampliar a presença online dos pequenos negócios, aqueles que apresentam de 10 a 49 pessoas ocupadas. A pesquisa TIC Empresas 2023, lançada nesta terça-feira (14) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), mostra que, passada a crise sanitária, as redes sociais seguem como o principal canal digital usado pelo segmento. Apenas pouco mais da metade das pequenas empresas (52%) tem website próprio, porcentagem similar à verificada em 2019 (51%). A título de comparação, 77% e 85% das médias e grandes empresas, respectivamente, contam com esse recurso, conforme a edição atual da pesquisa, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

Segundo o levantamento, 75% das pequenas empresas no país recorrem às plataformas de mensagens (como Whatsapp ou Telegram); 71% possuem perfil ou conta própria em redes como o Instagram, Snapchat, Tik Tok ou Flickr e 26%, no LinkedIn. Considerando o universo total analisado (pequenas, médias e grandes empresas), os percentuais referentes a 2023 são 74% (Whatsapp ou Telegram, contra 54% em 2019, período anterior à pandemia), 71% (Instagram, Snapchat, Tik Tok ou Flickr, contra 44% em 2019) e 30% (LinkedIn, contra 15% em 2019).

O estudo revela ainda que 91% das empresas brasileiras usam fibra óptica, sendo que 60% delas possuem velocidades de download acima de 100 Mbps. “Os avanços em termos de infraestrutura de conectividade não necessariamente foram acompanhados por um aprimoramento da presença online. A pesquisa mostra que uma parcela importante das empresas em atividade no país não possui website, por exemplo. Há espaço para que elas, sobretudo as pequenas e médias, diversifiquem e complexifiquem essa participação”, explica Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br|NIC.br.

Comércio online

De acordo com a pesquisa, 70% das empresas comercializaram produtos ou serviços pela Internet em 2023, proporção que foi de 73% em 2021. Os resultados sinalizam um cenário de estabilidade no indicador, que cresceu significativamente durante a pandemia COVID-19 – em 2019, a porcentagem era de 57%. Considerando o porte das empresas, o indicador de vendas online aparece da seguinte maneira: pequenas (57% em 2019; 74% em 2021 e 71% em 2023), médias (58% em 2019; 67% em 2021 e 66% em 2023) e grandes (52% em 2019; 68% em 2021 e 63% em 2023).

Os meios mais utilizados pelos negócios para vender no ambiente digital são aplicativos de mensagens, mencionados por 78%. A venda por esse tipo de plataforma é mais recorrente entre as pequenas empresas (80%) – elas são as que mais usam redes sociais para esse fim (40%) e as que menos realizam a prática em websites próprios (29%). Entre as grandes empresas, observa-se maior incidência de outras formas de comercialização no ambiente digital, como o website (55%) e sites de vendas (30%). A pesquisa identificou também que indústria (81%), alojamento e alimentação (81%) e comércio (74%) figuram entre os setores que mais venderam na Internet em 2023.

Novas tecnologias

Em sua 15ª edição, o estudo mostra que a adoção de tecnologias emergentes começa a se disseminar entre as empresas brasileiras, mas a diversidade de tipos de usos ainda é reduzida.

No caso dos serviços de nuvem, os mais utilizados são aqueles ligados a soluções como software de finanças, de contabilidade (49%) ou e-mail (53%). Aplicações mais relacionadas com a infraestrutura digital, tal como a capacidade de processamento em nuvem, foram adotadas por um terço dos negócios (33%).

A proporção das empresas que recorreram a algum dispositivo de Internet das Coisas (IoT) em 2023 foi de 14%, a mesma verificada em 2021. O uso dessa tecnologia está concentrado nas grandes companhias e no setor de informação e comunicação. O tipo de dispositivo de IoT mais utilizado foi o relacionado à segurança de instalações, como sistemas de alarme, detectores de fumaça, travas de porta e câmeras de segurança (84% das empresas que usaram IoT).

A adoção de Inteligência Artificial também apresentou estabilidade no período (o percentual passou de 13%, em 2021, para 14%, em 2023). Assim como ocorre com IoT, observa-se que o uso de IA é mais recorrente nas grandes empresas e no setor de informação e comunicação. A aplicação mais adotada foi automatização de processos de fluxo de trabalho, citada por 73% das organizações que utilizam Inteligência Artificial. Recursos mais complexos, como machine learning (16%) ou geração de linguagem natural (13%), são citados com menor frequência.

“Os dados evidenciam uma consolidação da maior digitalização das empresas, impulsionada pela pandemia. Ao mesmo tempo, a pesquisa aponta que a adoção de novas tecnologias digitais, tais como IoT e IA, ainda é restrita a alguns processos localizados, revelando desafios para uma utilização mais abrangente pelo conjunto das empresas brasileiras”, complementa Barbosa.

Sobre a pesquisa
Realizada desde 2005, a pesquisa mede a adoção das tecnologias de informação e comunicação em pequenas, médias e grandes empresas brasileiras. Na edição de 2023, o estudo entrevistou 4.057 empresas com 10 pessoas ocupadas ou mais, em todo o território nacional, com a coleta de dados ocorrendo entre março e dezembro de 2023.

A TIC Empresas adota padrões internacionais estabelecidos por entidades tais como a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Eurostat, agência de estatísticas da União Europeia.


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