O movimento global de revisão dos hábitos alimentares entrou em nova fase. A atualização recente das diretrizes alimentares dos Estados Unidos reforça uma tendência que o Brasil incorporou há anos por meio do Ministério da Saúde, responsável pelo Guia Alimentar para a População Brasileira. O documento brasileiro consolidou a classificação de alimentos pelo grau de processamento e priorizou o consumo de itens sem adição de conservantes e minimamente processados, antecipando um debate que, agora, por conta da publicação da nova pirâmide alimentar americana, ganhou os holofotes.
No centro dessa transformação está o conceito de clean label, que vem deixando de ser um diferencial e está passando a se configurar como exigência do consumidor. A Polpa Brasil, indústria com mais de duas décadas de atuação na produção de ingredientes feitos à base de frutas e vegetais, se insere nesse cenário como um dos exemplos nacionais de empresa que estruturou sua operação na fabricação de componentes alimentícios sem adição de açúcar ou conservantes artificiais.
Para Ramon Lacowicz, diretor e sucessor da Polpa Brasil, o clean label atingiu outro patamar quando passou a influenciar diretamente a decisão de compra. “Houve um momento em que o rótulo deixou de ser um detalhe e se tornou protagonista. O consumidor quer entender o que está consumindo e passou a rejeitar listas extensas de ingredientes que não reconhece”, afirma.
Transformação
Segundo ele, a mudança é estrutural e redefine parâmetros de competitividade no varejo. “Não estamos falando de uma moda passageira. É uma transformação de comportamento. Hoje, ter um produto com formulação simples não é diferencial, é requisito para permanecer relevante no mercado”, avalia.
A rejeição crescente aos ultraprocessados se apoia em evidências científicas que associam o consumo frequente desses produtos ao aumento de doenças crônicas. Além disso, há um componente de confiança em jogo. A transparência tornou-se ativo estratégico para as marcas, especialmente em um ambiente de ampla circulação de informação.
“Existe uma busca clara por coerência. O consumidor não quer apenas uma comunicação que use a palavra ‘natural’. Ele quer processo, rastreabilidade e compromisso real com a qualidade da matéria-prima”, destaca Lacowicz.
Alimentação saudável
O desafio industrial é garantir segurança alimentar, padronização e escala sem recorrer a aditivos artificiais. Isso envolve controle rigoroso na seleção das frutas e vegetais, processos eficientes de higienização e uma cadeia de frio capaz de preservar características sensoriais e nutricionais.
“Produzir sem conservantes em escala industrial exige investimento constante em tecnologia e logística. A cadeia precisa funcionar com precisão. Quando trabalhamos com fruta de verdade, o controle de qualidade começa no campo e termina na entrega ao cliente”, explica o diretor.
A trajetória da Polpa Brasil foi construída sob essa lógica. Fundada com foco no aproveitamento de frutas e vegetais selecionados e no fornecimento ao varejo e ao food service, a empresa ampliou sua presença regional acompanhando o crescimento da demanda por alimentos mais naturais. A consolidação do clean label como exigência fortalece um modelo produtivo que prioriza ingrediente único e rótulo enxuto.
Produtos genuínos
Outro ponto sensível, segundo Lacowicz, é diferenciar produtos genuinamente alinhados ao conceito de clean label de estratégias que utilizam o termo como apelo de marketing. “A diferença está na prática industrial. Não basta reduzir um ingrediente e comunicar isso. É preciso ter coerência entre formulação, processo e discurso”, afirma.
Pesquisas de mercado indicam aumento da procura por alimentos naturais e minimamente processados, além de maior atenção à composição dos produtos. O clean label, nesse contexto, consolida-se como critério de escolha e fator de competitividade no varejo.
Espaço para crescer
O mercado brasileiro tem espaço para crescer no setor de alimentos não modificados. Informação divulgada pela Agência Brasil, em outubro de 2025, mostra que, dos 39 mil alimentos e bebidas embalados lançados no país entre novembro de 2020 e novembro de 2024, 62% são classificados como ultraprocessados, enquanto apenas 18,4% se enquadram como alimentos frescos ou minimamente processados.
Os números fazem parte do primeiro relatório do projeto “Monitoramento da rotulagem de alimentos no Brasil”, conduzido pelo Ministério da Saúde em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Organização Pan-Americana da Saúde e a Universidade de São Paulo. A iniciativa acompanha a rotulagem e o perfil nutricional de produtos comercializados no país, com o objetivo de subsidiar políticas públicas voltadas à promoção da alimentação adequada e saudável.
A produção de alimentos feitos sem adição de conservantes e minimamente processados surge como alternativa prática e acessível dentro desse novo padrão alimentar. Ao oferecer produtos com esse perfil, a Polpa Brasil se posiciona de forma alinhada a uma transição que, mais do que tendência, passa a representar mudança estrutural na relação entre consumidor e indústria de alimentos.
Sobre a Polpa Brasil
Com mais de duas décadas de atuação, a Polpa Brasil é uma indústria brasileira especializada no desenvolvimento e fornecimento de ingredientes desidratados à base de frutas para a indústria alimentícia. A empresa atende diferentes segmentos, como panificação, confeitaria, laticínios, chocolates, snacks, bebidas e alimentos processados, oferecendo soluções adaptadas às necessidades técnicas e industriais de cada cliente.
Com estrutura produtiva própria e processos rigorosos de controle de qualidade, a companhia investe continuamente em tecnologia e eficiência operacional para garantir padronização, segurança alimentar e regularidade no fornecimento. Atuando como parceira no desenvolvimento de ingredientes e aplicações industriais, a Polpa Brasil acompanha a evolução do mercado e contribui para a criação de produtos alinhados às novas demandas de consumo, inovação e performance industrial.
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