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| Aprender acontece de formas diferentes (Foto: Freepik) |
Pediatra destaca importância de
identificar mudanças no comportamento infantil e buscar avaliação adequada
O Dia Mundial de Conscientização do Autismo chama atenção para a importância de reconhecer sinais precoces e garantir o acompanhamento adequado de crianças com transtorno do espectro autista (TEA). No Brasil, mais de 2 milhões de pessoas vivem com a condição, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que reforça a necessidade de ampliar a informação e reduzir preconceitos.
O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta principalmente a forma como a criança se comunica, interage socialmente e percebe o ambiente. De acordo com o pediatra e diretor geral do Hospital Anchieta Ceilândia, Clodoaldo Abreu, a manifestação pode variar bastante. “Não existe um único jeito de o autismo se apresentar. Algumas crianças têm atraso importante de fala, outras se comunicam bem, mas apresentam dificuldades na interação social ou na adaptação a mudanças”, pontua.
Sinais de alerta no desenvolvimento
Entre os principais sinais de alerta estão a pouca resposta ao nome, dificuldade de contato visual, atraso na fala, menor interesse em interagir e comportamentos repetitivos. Também podem surgir reações intensas a estímulos sensoriais, como sons, luzes ou texturas. A presença desses sinais não confirma o diagnóstico, mas indica a necessidade de avaliação especializada.
O especialista destaca que os primeiros indícios podem aparecer ainda no primeiro ano de vida, embora, em muitos casos, fiquem mais evidentes entre 18 e 24 meses. O diagnóstico é clínico e envolve a observação do comportamento da criança, além de entrevistas com os responsáveis e avaliações complementares.
Diagnóstico precoce faz diferença
Identificar sinais do transtorno nos primeiros anos de vida pode impactar diretamente o desenvolvimento da criança. Quanto antes o acompanhamento é iniciado, maiores são as chances de evolução, especialmente em áreas como comunicação, interação social e autonomia.
O acompanhamento com uma equipe multiprofissional, que pode incluir fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos e educadores, contribui para a construção de um plano individualizado, voltado às necessidades de cada criança.
O papel da família e da escola
A participação da família é essencial nesse processo. A criação de rotinas, o estímulo à comunicação e o respeito ao tempo da criança são estratégias que fazem diferença no dia a dia. O cuidado não se limita ao consultório e deve estar presente também nas atividades cotidianas.
Na escola, a inclusão vai além do acolhimento. Envolve adaptações no ambiente, preparo dos profissionais e construção de estratégias que permitam a participação efetiva da criança no aprendizado.
Mais informação e menos preconceito
Apesar dos avanços, ainda existem mitos sobre o autismo que precisam ser superados. Um dos principais é a falsa relação entre vacinas e o desenvolvimento da condição, hipótese já descartada por estudos científicos e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Para Clodoaldo Abreu, ampliar o conhecimento sobre o autismo é essencial para promover inclusão. “Suspeitar não é rotular, é cuidar. O diagnóstico precoce não limita o futuro, mas abre portas para o desenvolvimento e para uma melhor qualidade de vida”, ressalta.






