Daniel Claudino, especialista em mercado imobiliário, explica por que os preços dos aluguéis continuam avançando acima da inflação e quais os impactos para inquilinos e investidores.
Alugar um imóvel ficou mais caro para os brasileiros em 2026. Dados do Índice FipeZAP mostram que os preços das locações residenciais acumularam alta de 4,40% nos cinco primeiros meses do ano, superando a inflação oficial medida pelo IPCA (3,20%) e também o IGP-M (3,79%), indicador tradicionalmente utilizado para reajustar contratos de aluguel. Em maio, o aluguel residencial avançou 0,85%, acima da valorização dos imóveis para venda no mesmo período.
O cenário evidencia que o mercado de locação permanece aquecido e continua pressionando o orçamento de quem mora de aluguel ou pretende fechar um novo contrato.
Para o especialista em mercado imobiliário Daniel Claudino, a alta dos aluguéis é resultado da combinação entre demanda elevada, oferta limitada e uma recuperação gradual do setor imobiliário.
“Existe hoje uma procura maior por imóveis para locação, principalmente nos grandes centros urbanos. Ao mesmo tempo, a oferta não cresceu na mesma velocidade, criando um desequilíbrio que acaba pressionando os preços para cima”, explica.
Segundo o especialista, outro fator importante é que o financiamento imobiliário ainda enfrenta restrições, fazendo com que muitas famílias adiem a compra da casa própria e permaneçam mais tempo no mercado de locação.
“Mesmo com um cenário de redução gradual da Selic, o crédito imobiliário continua bastante criterioso. Muitas pessoas que pretendiam comprar um imóvel acabam permanecendo no aluguel por mais tempo, aumentando a demanda por locação”, afirma.
O comportamento dos aluguéis também mostra um mercado diferente daquele observado na compra e venda de imóveis. Enquanto os preços dos imóveis continuam apresentando valorização moderada, as locações seguem em ritmo mais acelerado, impulsionadas pela menor disponibilidade de unidades e pelo aumento da procura.
Para Daniel Claudino, proprietários também passaram a enxergar a locação como uma alternativa mais rentável diante da valorização patrimonial dos imóveis e da estabilidade dos contratos.
“O aluguel voltou a ser um investimento bastante atrativo. Com uma demanda consistente e baixa vacância em diversas regiões, muitos proprietários conseguem reajustar os contratos dentro da realidade do mercado sem dificuldade para encontrar novos inquilinos”, destaca.
Diante desse cenário, o especialista recomenda que quem pretende alugar um imóvel faça um planejamento financeiro antes de fechar negócio.
“O ideal é pesquisar bastante, comparar imóveis semelhantes e negociar as condições do contrato. Muitas vezes é possível conseguir melhores condições antes da assinatura do que tentar renegociar depois. Também é importante que o aluguel não comprometa uma parcela excessiva da renda familiar”, orienta.
A expectativa do mercado é que os preços das locações continuem avançando ao longo dos próximos meses, ainda que em ritmo menos acelerado. Para Claudino, enquanto a demanda permanecer elevada e a oferta restrita em diversas cidades, a tendência é de que os aluguéis continuem registrando aumentos acima da inflação.
“Não esperamos uma explosão nos preços, mas o mercado deve continuar valorizado. A tendência é de crescimento moderado, sustentado principalmente pelo aquecimento da demanda e pela recuperação gradual da economia”, conclui.
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