Para Marlom Andrade, CEO da Tutory, o protagonismo brasileiro é resultado da combinação entre inovação, transformação digital e crescente demanda por soluções educacionais mais inteligentes e personalizadas.
O Brasil reafirma sua posição como principal referência em tecnologia educacional na América Latina. Levantamento divulgado pelo TI Inside revela que o país concentra 68,9% das edtechs da região e recebe cerca de 80% dos investimentos destinados ao setor, consolidando-se como o maior ecossistema latino-americano de inovação voltada à educação. O cenário reflete o amadurecimento do mercado nacional, impulsionado pela transformação digital, pela necessidade crescente de qualificação profissional e pela busca por soluções tecnológicas capazes de tornar o aprendizado mais acessível, eficiente e personalizado.
Para Marlom Andrade, CEO da Tutory, o Brasil assumiu a liderança regional porque conseguiu reunir fatores que favoreceram tanto o surgimento de novos negócios quanto a rápida adoção da tecnologia na educação.
"O Brasil possui um dos maiores mercados consumidores da América Latina, uma demanda permanente por qualificação profissional e um ecossistema de inovação cada vez mais maduro. Esse conjunto de fatores estimulou o surgimento de centenas de edtechs capazes de desenvolver soluções para desafios reais da educação. Ao mesmo tempo, empresas, instituições de ensino e profissionais passaram a compreender que investir em tecnologia deixou de ser uma opção para se tornar uma necessidade estratégica.", afirma.
Mais do que um crescimento em número de empresas, a liderança brasileira evidencia uma mudança estrutural na forma como pessoas, instituições de ensino e empresas enxergam a educação. As plataformas digitais deixaram de ocupar um papel complementar para se tornarem protagonistas na formação de estudantes, profissionais e equipes corporativas, em um contexto marcado por rápidas transformações no mercado de trabalho e pela necessidade de atualização constante de competências.
Nos últimos anos, especialmente após a pandemia de Covid-19, o setor viveu uma expansão sem precedentes. O ensino remoto acelerou a adoção de tecnologias educacionais em escolas, universidades e empresas, ampliando a familiaridade da população com ambientes virtuais de aprendizagem e estimulando investimentos em soluções capazes de oferecer experiências mais dinâmicas, flexíveis e escaláveis.
Segundo Andrade, a pandemia representou um ponto de inflexão para o setor, acelerando um movimento que já vinha acontecendo, mas que ganhou velocidade diante das novas necessidades impostas pelo distanciamento social.
"A pandemia antecipou em poucos meses uma transformação que levaria muitos anos para acontecer. Ela demonstrou que a tecnologia pode ampliar o acesso ao conhecimento, aproximar pessoas independentemente da localização e criar experiências de aprendizagem muito mais flexíveis. O mais importante é que esse movimento não retrocedeu. Hoje, a educação digital faz parte da estratégia de escolas, universidades e empresas.", explica.
Para o CEO da Tutory, esse processo também transforma o papel dos educadores, que passam a utilizar dados e recursos tecnológicos para apoiar decisões pedagógicas, sem que a tecnologia substitua a atuação humana. Pois, ela potencializa o trabalho desses profissionais ao automatizar tarefas operacionais, fornecer análises sobre o desempenho dos alunos e permitir que o educador dedique mais tempo ao que realmente faz diferença: orientar, estimular o pensamento crítico e promover experiências de aprendizagem de qualidade."
Outro segmento que impulsiona o crescimento das edtechs é a educação corporativa. Em um mercado de trabalho marcado pela rápida evolução tecnológica, empresas passaram a investir continuamente na capacitação de seus colaboradores para manter competitividade e acelerar processos de inovação.
"As organizações compreenderam que aprender continuamente deixou de ser um benefício para se tornar uma vantagem competitiva. Plataformas educacionais permitem treinar equipes de maneira escalável, acompanhar indicadores de desempenho, personalizar trilhas de aprendizagem e desenvolver competências alinhadas aos objetivos estratégicos do negócio." ressalta Marlon
Para os próximos anos, Andrade acredita que as plataformas de ensino serão cada vez mais orientadas por dados, inteligência artificial e experiências personalizadas. No entanto, ele ressalta que inovação tecnológica precisa caminhar ao lado da qualidade pedagógica e da capacidade de gerar resultados concretos. Apesar do cenário positivo, o setor ainda enfrenta desafios importantes, como ampliar a inclusão digital, reduzir a evasão em cursos on-line, preparar educadores para o uso das novas tecnologias e manter um ritmo constante de inovação diante das rápidas mudanças tecnológicas.
Para Marlom Andrade, esse contexto também abre espaço para novos empreendedores e profissionais da educação. "Ainda existem inúmeras oportunidades para desenvolver soluções capazes de democratizar o acesso ao conhecimento, melhorar a experiência de aprendizagem e apoiar instituições e empresas em seus processos de desenvolvimento humano. O futuro da educação será construído por quem conseguir unir inovação tecnológica, qualidade pedagógica e compromisso com a formação das pessoas.", conclui.





