Auditora federal e economista, candidata a deputada distrital reúne atuação na gestão pública e mais de uma década de trabalho social em uma agenda voltada às mulheres, saúde, emprego, inclusão e fiscalização dos recursos públicos
De um lado, orçamento, gestão e fiscalização do dinheiro público. Do outro, histórias de mulheres, famílias e comunidades em busca de oportunidades. Foi entre essas duas realidades que Renata Daguiar construiu o caminho que agora a leva, pela terceira vez, à disputa por uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
Auditora federal de Finanças e Controle, economista e mestre em Economia, ela chegou a Brasília após ser aprovada em concurso para o Tesouro Nacional. O contato com catadores de materiais recicláveis durante o processo de fechamento do antigo Lixão da Estrutural ampliou sua atuação para além do serviço público. Em 2017, fundou o Instituto Reciclando o Futuro, dedicado à qualificação profissional, geração de renda, esporte, cultura e cidadania.
Hoje, a organização mantém 17 unidades no Distrito Federal e Entorno e, segundo dados divulgados pelo instituto, já alcançou cerca de 70 mil pessoas. A convivência com diferentes comunidades aproximou a auditora de realidades que dificilmente cabem em planilhas e ajudou a transformar demandas sociais em causas que passaram a fazer parte de sua atuação.
“Minha caminhada sempre foi feita de pessoas, histórias e oportunidades. Agora, inicio oficialmente essa nova etapa, levando comigo tudo aquilo que me trouxe até aqui e a responsabilidade de representar o povo do Distrito Federal”, afirma.
Técnica a serviço das pessoas
O conhecimento sobre as contas públicas ocupa lugar central na forma como Renata enxerga o papel de um parlamentar. Para ela, aprovar leis e apresentar projetos representam apenas parte da responsabilidade de quem ocupa uma cadeira no Legislativo. Fiscalizar gastos, acompanhar a execução das políticas públicas e cobrar resultados também devem fazer parte do mandato.
“Recurso público tem destino. Política pública tem propósito. E direito não pode ficar apenas no papel: precisa chegar a quem mais precisa”, defende.
A formação técnica se soma à passagem pela administração pública. Renata foi diretora do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e subsecretária de Promoção das Mulheres do Distrito Federal, período em que esteve ligada a políticas de proteção, autonomia e geração de oportunidades.
Entre as iniciativas que pretende levar à CLDF está a criação da Casa da Mulher Integrada, reunindo assistência social, apoio psicológico, orientação jurídica e ações de geração de renda. As famílias atípicas também estão entre as prioridades, com a proposta de um Centro Integrado de Apoio às Famílias Atípicas, destinado ao atendimento de crianças e ao suporte a pais e responsáveis.
A atenção às mulheres em situação de vulnerabilidade, no entanto, começou antes da passagem pelo governo. Em 2018, o Instituto Reciclando o Futuro realizou o Miss Catadora, iniciativa que colocou trabalhadoras da reciclagem como protagonistas de uma ação voltada à valorização e à autoestima.
Anos depois, ao reencontrar uma das participantes, Renata descobriu que uma fotografia daquele momento ainda estava guardada na casa dela. A lembrança mostrou que o significado da iniciativa havia permanecido para além daquele dia.
“Ela marcou o coração de cada catadora que esteve ali”, recorda.
A vivência no terceiro setor também inspira medidas voltadas às organizações sociais. Entre elas estão a criação de um fórum permanente de interlocução com o Governo do Distrito Federal e mecanismos de apoio a pequenas instituições e projetos presentes nas comunidades.
Saúde, trabalho e oportunidades mais perto de casa
Na saúde, uma das prioridades é fortalecer a Atenção Primária com a ampliação da presença de pediatras nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A candidata também propõe ampliar a oferta de neuropediatras, com foco no acompanhamento do desenvolvimento infantil, na prevenção e na identificação precoce de necessidades de saúde.
“Uma criança não deve chegar à emergência para receber o cuidado que poderia ter começado antes. Saúde infantil começa no acompanhamento, começa na prevenção, começa perto da família”, afirma.
A geração de oportunidades compõe outro eixo. Para pessoas acima dos 50 anos, defende medidas de incentivo à empregabilidade. Já para quem passa horas diariamente no deslocamento entre casa e trabalho, propõe ampliar as Áreas de Desenvolvimento Econômico em diferentes regiões do DF, aproximando empresas e postos de trabalho de onde vivem os trabalhadores.
“Horas no transporte. Cansaço antes mesmo de chegar. Tempo que poderia ser da família, dos filhos, da vida”, observa.
O olhar para crianças e adolescentes se estende aos Conselhos Tutelares. As medidas apresentadas incluem ampliação de unidades em regiões de maior demanda, melhoria da estrutura física, reforço das equipes de apoio, atenção à saúde mental dos profissionais e fortalecimento das ações de proteção.
Embora contemplem diferentes áreas, as iniciativas convergem em um mesmo princípio defendido pela candidata: usar o conhecimento sobre gestão e orçamento para transformar recursos em serviços e resultados que cheguem à população.
Uma trajetória que volta às urnas
A eleição de 2026 será a terceira tentativa de Renata de conquistar uma das 24 cadeiras da CLDF. Em 2018, recebeu 3.912 votos. Quatro anos depois, chegou a 11.473. Agora, filiada ao Republicanos, retorna às urnas em busca de uma vaga como deputada distrital.
A caminhada eleitoral acompanha uma atuação construída em dois ambientes que marcaram sua vida profissional e social. De um lado, o conhecimento sobre orçamento, controle e fiscalização. Do outro, a vivência em projetos e comunidades onde os efeitos das decisões do poder público são percebidos no cotidiano.
É na aproximação desses dois mundos que Renata busca construir sua identidade política e apresentar ao eleitor uma candidatura que une conhecimento técnico e atuação social.
Para ela, fiscalizar, propor e acompanhar políticas públicas só fazem sentido quando os resultados ultrapassam os números e alcançam a vida de quem depende delas.
“Mandato não é apenas propor. É acompanhar. É cobrar. É fiscalizar. É proteger”, conclui.





