Bruno Moretti, titular do Planejamento, desmonta argumento do senador, de que fará ajuste com corte de juros. Jair Bolsonaro cortou tudo da área social; só preservou orçamento secreto
O candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro (PL), não consegue convencer o povo brasileiro de que fará um corte brutal no Orçamento da União, de R$ 250 bilhões, sem cortar recursos de programas sociais. Desafiado pelo presidente Lula a explicar de onde vai cortar, o senador bolsonarista alegou que só a sua pretensa vitória levaria a uma queda de dois a três pontos percentuais da taxa de juros, e que isso seria suficiente para conseguir essa economia.
Tal previsão feita pelo extremista de direita, segundo o ministro do Planejamento, o economista Bruno Moretti, não encontra qualquer respaldo na realidade. “Fico me perguntando quem é o economista que o assessora. Eu não sei se é erro deliberado, desconhecimento, mas basicamente o candidato diz que aquilo que eles estão prometendo a portas fechadas ao mercado financeiro vai ser feito em cima das despesas com juros. Pessoal, é mentira: o orçamento público não funciona assim”, resumiu Moretti.
“Ele não entende nada de orçamento”, afirmou o ministro da Comunicação, Sidônio Palmeira, que já formalizou seu pedido de licença da pasta para se dedicar à campanha de Lula.
Segundo o senador Camilo Santana (PT), que passou a integrar o núcleo político da coordenação da campanha Lula, “o povo é contra o tesouraço de R$ 250 bilhões que o Flávio Bolsonaro está propondo ao país”. “Nós sabemos que esse tesouraço vai mexer com a vida dos mais pobres desse país, da maioria do povo desse país, vai cortar do Farmácia Popular, vai cortar do Mais Médicos, vai cortar da Merenda Escolar, vai cortar do ProUni, vai cortar da universidade, vai cortar do Instituto Federal, sabe que essa conta sempre recai sobre o povo, a grande maioria do povo brasileiro.”
Lembrem de Jair Bolsonaro para entender o tesouraço, diz Moretti
Moretti lembrou que o orçamento projeta o quanto o Estado vai arrecadar ao longo do ano, converte em despesas de educação, saúde, salários, e o quanto sobra desse esforço é o valor necessário para pagar os juros da dívida. Para Moretti, o melhor caminho para entender a real intenção do adversário de Lula com o tesouraço é olhar para o que foi feito no governo de seu pai, Jair Bolsonaro, e o legado de destruição que foi deixado para Lula, em 2022.
“O pai do Flávio mandou o orçamento com um corte de quase 60% na Farmácia Popular. Não tinha um real para valorizar o salário mínimo dos aposentados acima da inflação, não tinha dinheiro para pagar os R$ 600 do Bolsa Família, houve mais de 90% de corte das despesas de manutenção e infraestrutura de educação básica, de creche para as crianças, mais de 90% de cortes nos recursos para serviços da assistência social, os cuidados com os idosos. Em contrapartida, havia R$ 20 bilhões para o orçamento secreto”, lembrou o ministro.
A gestão Lula, ressaltou o ministro, ajustou no orçamento o calote dos precatórios deixado por Jair Bolsonaro outro calote dado no ICMS dos estados para reduzir artificialmente o preço dos combustíveis. Além disso, Lula retomou os programas sociais, concedeu reajuste do salário mínimo acima da inflação, reajustou o Bolsa Família e chegou ao fim da gestão com um orçamento equilibrado, mantendo o acesso da população a políticas públicas essenciais.
“As 15 milhões de famílias que recebem o Gás do Povo vão seguir recebendo, a Farmácia Popular vai ter crescimento, as despesas com o Bolsa Família estão asseguradas, a valorização real do salário mínimo está garantida e, nas receitas, os mais ricos vão seguir pagando os tributos que não pagavam”, resumiu Moretti. “Quando se diz que vai cortar R$ 250 bilhões, esses cortes vão afetar a vida da população. Importante que as pessoas entendam como funciona o orçamento e não caiam em mentira.”
Mentira bolsonarista sobre a inflação
Em outra falácia desconectada de análise criteriosa, Flávio Bolsonaro culpou a inflação da gestão Lula pela redução do poder de compra da população. A inflação média dos quatro anos do governo Lula (4,6%), contudo, é a menor já registrada numa gestão presidencial desde a redemocratização, em 1989, e o salário mínimo de trabalhadores e aposentados teve reajuste acima da inflação em todos os anos.
O governo Bolsonaro, por sua vez, teve média de 6,2% ao ano e passou quatro anos sem qualquer ganho real.
Quando a discussão é em torno da inflação de alimentos, o governo Bolsonaro teve 56% de variação, o que ainda pesa até hoje no bolso das pessoas. O governo Lula restabeleceu e ampliou políticas de incentivo à agricultura familiar, retomou o Programa de Aquisição de Alimentos e reduziu a inflação de alimentos para 13,6% ao longo da atual gestão.
Adicionalmente, o governo Lula conseguiu conduzir a primeira reforma tributária aprovada num período democrático do país, e entre as novidades está a isenção de 100% dos impostos de todos os itens da cesta básica a partir de 2027.
Jair Bolsonaro apagou protagonismo global do Brasil
Flávio Bolsonaro ainda citou em sua pretensa resposta uma suposta perda de credibilidade do Brasil no cenário internacional. Nada mais fora da realidade. Após um período, este sim, de isolamento e desprestígio com Jair Bolsonaro, o Brasil voltou a ocupar posição de destaque nos principais fóruns globais e retomou um papel de liderança na construção de consensos sobre temas estratégicos da agenda global.
Ao longo do terceiro mandato, o presidente Lula recebeu 86 chefes de Estado e de governo, de 68 países, entre visitas bilaterais e passagens pelo Brasil para eventos multilaterais. Manteve mais de 250 reuniões com chefes de Estado de 77 países no Brasil e no exterior e 130 conversas por telefone com líderes de 44 nações. Voltou a frequentar o G7 (o único presidente brasileiro que já frequentou reuniões do bloco, e por dez vezes). Um claro contraste com o período anterior: Jair Bolsonaro recebeu 20 chefes de Estado.
Com a volta do diálogo, a política externa restabeleceu parcerias históricas, defendeu o livre comércio e o multilateralismo, fortaleceu a soberania e ampliou a inserção internacional do Brasil. Foram 59 participações em cúpulas internacionais e 551 instrumentos de cooperação assinados até agosto de 2026, que ajudaram a abrir possibilidades de investimento em dezenas de setores. Como resultado, houve a abertura recorde de 700 novos mercados em mais de 90 destinos para o agro brasileiro. Quase três vezes os 242 da gestão anterior.





