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Conhecido como JK, Juscelino Kubitschek de Oliveira foi o 21º presidente do Brasil e responsável pela construção de Brasília


Durante seu mandato como presidente da República (1956-1961), o país viveu um período de grande desenvolvimento econômico e JK é, até hoje, um dos políticos mais admirados pela população brasileira, segundo apontam pesquisas de opinião.

Foi o poeta Augusto Frederico Schmidt – conselheiro de JK na Presidência da República – quem criou o slogan "Cinquenta anos em cinco", que caracterizou o governo de JK e seu Plano de Metas. Esse plano, contendo 31 metas, concentrou-se no desenvolvimento de setores como energia, transporte, alimentação, indústria de base e educação. A construção da nova capital foi, no entanto, a meta considerada mais importante.

Durante o governo JK, o moderno e o novo refletiram-se também na cultura nacional. Nessa época, surgiu a bossa nova na música popular brasileira, cujo termo tornou-se comum nos anos 60, simbolizando o que era novo e moderno. JK foi chamado de “presidente bossa nova”, por seu espírito jovem e empreendedor, e foi cantado em versos pelo compositor Juca Chaves, na música intitulada Presidente bossa nova. A canção fala de JK como um presidente risonho, simpático e original.

A política desenvolvimentista de JK proporcionou rápida industrialização do país, particularmente o crescimento da indústria automobilística. Esse crescimento econômico, aliado à construção de Brasília, também aumentou a dívida pública e a inflação. Mesmo assim, o fato não chegou a abalar a popularidade de JK, que tinha projeto de voltar à Presidência em 1965, frustrado, no entanto, pelo golpe militar de 1964.

Carreira
Nascido no dia 12 de setembro de 1902 em Diamantina (MG), JK casou com Sarah Gomes de Lemos, em 1931, com quem teve duas filhas: Márcia e Maria Estela. Seu pai, João César de Oliveira, foi caixeiro-viajante, tendo exercido também outras profissões. A mãe de JK, Júlia, era professora, tinha ascendência checa e etnia cigana, de onde vem o sobrenome Kubitschek, uma germanização do nome original Kubíček.

JK estudou medicina em Belo Horizonte, formando-se em 1927. Posteriormente, fez pós-graduação e estágio complementar em Paris e Berlim, em 1930, especializando-se em urologia. Após ser nomeado capitão-médico da Polícia Militar de Minas Gerais, serviu como médico durante a Revolução Constitucionalista de 1932, trabalhando junto às tropas mineiras. Sua carreira política começou em 1934, quando foi nomeado chefe da Casa Civil de Minas Gerais. Posteriormente, chegou ao posto de tenente-coronel médico da Polícia Militar de Minas Gerais.

Ainda em 1934, JK foi eleito deputado federal pelo então Partido Progressista, e exerceu o mandato até o fechamento do Congresso, no dia 10 de novembro de 1937, com o golpe do Estado Novo. Foi também prefeito de Belo Horizonte (1940-1945) e governador de Minas Gerais (1951-1955).

Em 1945, foi eleito deputado federal para a Assembleia Nacional Constituinte daquele ano pelo Partido Social Democrático (PSD), mesma agremiação pela qual se elegeu presidente da República, numa coligação com o PTB. O vice-presidente eleito na chapa de JK foi João Goulart. Depois do mandato de presidente, JK foi eleito senador pelo estado de Goiás, em 1962.

Apesar da grande popularidade de JK, sua eleição para presidente contou apenas com 36% dos votos válidos, a menor votação registrada de todos os presidentes eleitos entre 1945 e 1960. Naquela época, as eleições eram em turno único: JK obteve 3.077.441 votos, contra 2.610.462 votos dados ao general Juarez Távora, 2.222.725 votos para Ademar de Barros, e 714.319 votos para Plínio Salgado. Com a construção de Brasília, JK foi o último presidente a assumir o cargo no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, cuja posse ocorreu no dia 31 de outubro de 1955.

Acusações
JK também foi acusado diversas vezes de corrupção, desde os tempos em que exerceu o cargo de governador. Tais acusações se intensificaram no período em que foi presidente, principalmente devido à construção de Brasília, com denúncias de suposto superfaturamento das obras e favorecimento a empreiteiros ligados ao seu grupo político.

Outro caso polêmico em seu governo foi o da empresa aérea Panair do Brasil, acusada de manter o monopólio do transporte de pessoas e materiais enviados para a construção de Brasília. Durante a construção da nova capital, grande parte dos materiais e equipamentos utilizados na obra era transportada por aviões, pois ainda não havia estradas ligando a nova capital aos grandes centros urbanos. Nessa época, a imprensa chegou a dizer que JK teria a sétima maior fortuna do mundo, o que nunca foi provado. Durante a campanha eleitoral de 1960, que escolheria seu sucessor, tais denúncias de corrupção em seu governo foram amplamente exploradas pelo candidato Jânio Quadros, que prometia “varrer a corrupção” do país. JK era acusado ainda pelos adversários de ter apoio dos comunistas. Jânio venceu as eleições em 3 de outubro de 1960, com apoio da União Democrática Nacional (UDN).

Exílio
Juscelino queria concorrer novamente à Presidência da República nas eleições marcadas para 3 de outubro de 1965. Sua pré-campanha eleitoral foi chamada de “JK-65: A vez da agricultura”, e a candidatura chegou a ser lançada pelo PSD em 20 de março de 1964. Os outros pré-candidatos eram Carlos Lacerda, Leonel Brizola e Jânio Quadros. Todas essas candidaturas foram abortadas, no entanto, pelo golpe militar do dia 31 de março de 1964.

Em 11 de abril daquele ano, o Congresso elegeu o general Castelo Branco presidente da República e um velho amigo de JK – do tempo de seminário em Diamantina –, José Maria Alkmin, como vice-presidente. Na condição de senador por Goiás, JK votou em Castelo Branco e em Alkmin.

A situação política de JK não estava, entretanto, garantida, e as acusações de corrupção e de ter apoio dos comunistas resultaram na cassação de seus direitos políticos, no dia 8 de junho de 1964. Com isso, perdeu o mandato de senador por Goiás, decidindo, então, viajar para os Estados Unidos e a Europa, num exílio voluntário. Apesar dos supostos indícios de corrupção e da pressão de alguns segmentos políticos da época, JK nunca chegou a responder formalmente à Justiça por tais acusações. Foi obrigado, no entanto, a responder a inquéritos policiais militares, conhecidos como IPMs.

JK voltou ao Brasil logo depois das eleições de 3 de outubro de 1965, na qual dois de seus aliados, que eram adversários do governo Castelo Branco (Francisco Negrão de Lima e Israel Pinheiro da Silva), venceram o pleito para governador na Guanabara e de Minas Gerais, respectivamente. Apesar desse fato, JK decidiu permanecer por pouco tempo no Brasil, voltando ao exílio voluntário, do qual só regressou, definitivamente, em 1967.

JK morreu no dia 22 de agosto de 1976, num acidente automobilístico, à altura do quilômetro 328 da Rodovia Presidente Dutra (SP), em um automóvel Chevrolet Opala, na altura da cidade fluminense de Resende. As circunstâncias de sua morte, considerada pouco esclarecida, foram alvo de polêmica durante vários anos.

Devido a essa polêmica, seu corpo foi exumado 1996, com vistas a esclarecer a causa da morte. Nada foi, no entanto, descoberto, além do acidente que o vitimou. Segundo o site do Memorial JK, o carro de Juscelino chocou-se de frente com uma carreta após ter sido acidentalmente fechado por um ônibus que vinha na mesma pista em alta velocidade.

Até hoje, o local onde ocorreu o acidente é conhecido como "Curva do JK". Mais de 300 mil pessoas assistiram a seu funeral, realizado em Brasília, onde a multidão cantou a música que o identificava: Peixe Vivo. Seus restos mortais estão no Memorial JK, em Brasília, construído em 1981.


Fotos: Arquivo Público do Distrito Federal.

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Blog do Paulo Roberto Melo

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