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Historiadores explicam que o fim pode acontecer no aspecto médico ou no social



De acordo com historiadores, as pandemias normalmente acabam de duas maneiras: o fim médico, que ocorre quando a incidência e taxas de morte disparam, e o social, quando a epidemia do medo da doença desaparece.

“Quando as pessoas perguntam ‘quando isto terminará?’, elas estão se referindo ao fim social”, disse Jeremy Greene, historiador de medicina. Em outras palavras, o fim de uma epidemia pode ocorrer não porque a doença foi vencida, mas porque as pessoas se cansaram de ter medo e aprenderam a conviver com a enfermidade.

Allan Brandt, historiador de Harvard, disse que algo similar vem ocorrendo com a covid-19. “Como temos visto no debate sobre uma abertura da economia, muitas perguntas sobre o chamado fim da epidemia são determinadas não pelos dados médicos ou de saúde pública, mas por processos sociopolíticos".

Escolas de Pequim reabriram nesta segunda-feira, 11, após mais de 3 meses de lockdown. Foto: EFE/ EPA/ Roman Pilipey

Os finais de uma epidemia “são muito confusos”, afirmou Dora Vargha, historiadora da Universidade de Exeter. “Fazendo uma retrospectiva, temos um discurso frágil. Por meio de quem a epidemia acaba e quem tem algo a dizer?”.
No caminho do medo

Uma epidemia de medo ocorre mesmo sem uma real epidemia ou doença. Susan Murray, do Royal College of Surgeons, em Dublin, observou isto em primeira mão em 2014 quando era membro de um hospital rural na Irlanda. Meses antes, mais de 11 mil pessoas na África Ocidental morreram por causa do ebola, uma terrível doença viral altamente infecciosa e por vezes fatal. A epidemia parecia ter desaparecido e nenhum caso havia se verificado na Irlanda, mas o temor público era palpável.

“Nas ruas e nos hospitais as pessoas estavam inquietas”, recordou a médica em um artigo para o The New England Journal of Medicine. “Ter a cor de pele errada é o suficiente para você ser visto com suspeita pelos passageiros dentro de um ônibus ou trem. Se tossir, as pessoas procuram se afastar de você”.

“Se não estamos preparados para lutar contra o medo e a ignorância de modo tão ativo e racional como combatemos qualquer outro vírus, é possível que o medo cause danos terríveis a pessoas vulneráveis mesmo em lugares onde nenhum caso de infecção é constatado durante um grande surto. E uma epidemia de medo tem consequências muito piores quando estão envolvidos também problemas de raça, privilégio e língua”.
Peste negra e lembranças sombrias

A peste bubônica eclodiu diversas vezes nos últimos dois mil anos, matando milhões de pessoas e alterando o curso da história. Cada epidemia ampliava o medo de um próximo surto.

A doença é causada por uma linhagem de bactérias. A Yersinia pestis, que vive nas pulgas de ratos. Mas a peste bubônica que ficou conhecida como Peste Negra também pode ser passada da pessoa infectada para outra pessoa por meio de gotículas expelidas na respiração, de modo que não podia ser erradicada apenas matando ratos.

Os historiadores descrevem três grandes ondas de pragas, disse Mary Fissel, historiadora da instituição Johns Hopkins: a Praga de Justiniano, no século sexto, a epidemia medieval no século 14 e uma pandemia que atingiu o mundo no final do século 19 e início do 20.

A pandemia medieval começou em 1331 na China. A doença, juntamente com uma guerra civil em curso na época, matou metade da população da China. De lá, a doença foi transportada através das rotas comerciais para a Europa, Norte da África e Oriente Médio. Entre 1347 e 1351, ela matou pelo menos um terço da população europeia. Metade da população de Siena, na Itália, morreu.

Essa pandemia acabou, mas a doença retornou. Um dos piores surtos dela começou na China em 1885 e se espalhou para o mundo, com a morte de mais de 12 milhões de pessoas só na Índia. Autoridades de saúde em Mumbai incendiaram bairros inteiros para tentar liberá-los da praga. “Ninguém soube se isso ajudou”, disse o historiador de Yale Frank Snowden.

Não se sabe ao certo o que fez com que a peste bubônica desaparecesse. Alguns estudiosos afirmam que o frio acabou com as pulgas que transportam a doença, mas isso não iria interromper a propagação pelas vias respiratórias, observou Snowden.

Ou talvez tenha ocorrido uma mudança nos ratos. No século 19, a praga era transportada não por ratos pregos, mas pelos ratos marrons, que são mais fortes, mais selvagens e com mais probabilidade de viverem afastados dos humanos.

Outra hipótese é que a bactéria evoluiu e se tornou menos letal. Ou talvez medidas adotadas pelos humanos, como a queima de vilarejos inteiros, tenham ajudado a sufocar a epidemia.

Mas a peste nunca desapareceu realmente. Nos Estados Unidos, infecções são endêmicas entre os cães pradaria (um tipo de roedor da família dos esquilos que late como um cachorro) no Sudoeste americano e podem ser transmitidas para as pessoas.

Snowden disse que um amigo dele foi infectado depois de dormir em um hotel no Novo México. O ocupante anterior do quarto tinha um cachorro com pulgas que transportavam o micróbio.

Tais casos são raros e hoje são tratados com antibióticos, mas qualquer notícia de um caso por causa dessa praga já provoca medo.

Uma doença que realmente acabou

Entre as doenças que chegaram a um fim médico está a varíola. Mas este é um caso excepcional por várias razões. Existe uma vacina eficaz, que confere proteção perene; o vírus, o variola minor, não tem nenhum hospedeiro animal, de modo que eliminar a doença no ser humano significou uma eliminação total e os sintomas da varíola são tão excepcionais que a infecção é clara, permitindo quarentenas eficazes e monitoramento dos contatos.

A última pessoa que contraiu varíola foi Ali Maow Maalin cozinheiro em um hospital na Somália em 1977; ele se recuperou, mas em 2013 morreu de malária.

Influenzas esquecidas

A influenza de 1918 é citada hoje como exemplo de devastação provocada por uma epidemia e mostra o valor das quarentenas e do distanciamento social. Antes do seu fim, ela matou entre 50 a 100 milhões de pessoas no mundo todo, especialmente jovens e adultos de meia idade – deixando crianças órfãs, privando famílias do sustento, matando soldados em plena Primeira Guerra Mundial.

Depois de assolar o mundo, ela desapareceu, evoluindo para uma variante mais benigna que ataca todo ano. “Talvez seja como um incêndio que, tendo queimado a floresta, apaga”, disse Snowden.

E acabou também socialmente. A Primeira Guerra Mundial chegou ao fim, as pessoas estavam prontas para uma nova era, deixando o pesadelo da doença e da guerra para trás. Até recentemente essa gripe de 1918 estava praticamente esquecida.

Outras pandemias surgiram, nenhuma tão fatal, mas todas sérias. Em 1968, a influenza de Hong Kong matou um milhão de pessoas em todo o mundo, 100 mil nos Estados Unidos, na maior parte pessoas com mais de 65 anos. Esse vírus ainda circula como uma gripe sazonal e seu ritmo inicial de destruição, e o medo decorrente, são raramente lembrados.
Como acabará a covid-19?

Isso ocorrerá com a covid-19? Segundo os historiadores, a pandemia do coronavírus pode acabar socialmente antes de se extinguir do ponto de vista médico. As pessoas podem ficar tão cansadas das restrições que acabam por declarar a pandemia encerrada, mesmo com vírus persistindo na população e antes de uma vacina ou um tratamento eficaz serem encontrados.

“Acho que existe uma questão psicológica social de exaustão e frustração", disse Naomi Rogers, historiadora de Yale. “Talvez estejamos num momento em que as pessoas dizem 'basta, mereço retornar à minha vida normal".

É o que vem ocorrendo: em alguns estados governadores vêm abolindo as restrições, permitindo a abertura de salões de beleza, academias, desafiando alertas das autoridades de saúde pública que consideram prematura essa decisão. À medida que a catástrofe econômica por causa dos lockdowns cresce, mais pessoas parecem estar dispostas a dizer “basta”.

“Existe uma espécie de conflito”, disse Rogers. As autoridades de saúde pública têm um fim médico em vista, mas membros do público veem um fim social. “Quem vai declarar o fim? Se você se mostra resistente a essa ideia, vai resistir a quê? O que estará alegando quando disser “não acabou?”.

Segundo Brandt, o desafio é que não haverá nenhuma vitória repentina. Tentar definir o fim da pandemia “será um processo longo e difícil”. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Fonte: Estadão Conteúdo.
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Blog do Paulo Roberto Melo

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