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Estudo de professor da UnB conclui que andando em sentido único e reduzindo cruzamentos, transeuntes podem conter transmissão de doenças como a Covid-19

Foto: José Pereira.

A fim de restringir a disseminação do novo coronavírus, cidades no Brasil e no mundo adotaram basicamente dois tipos de estratégias: o lockdown – ou bloqueio total –, medida de segurança em que o cidadão fica proibido pelo governo de sair de casa e circular por áreas públicas sem motivo emergencial; e o chamado distanciamento social, que não é uma imposição, mas aconselha que pessoas fiquem longe o suficiente umas das outras.

O lockdown já foi adotado em 18 cidades brasileiras. No Distrito Federal, está em vigor o distanciamento social com uso obrigatório de máscara em locais públicos. Ou seja, desde que vestindo o equipamento de proteção individual, pessoas podem sair livremente às ruas em Brasília. Por isso, é comum observar pessoas transitando e se exercitando ao ar livre na capital federal.

Motivado pelo desafio de aliar a necessidade de mover-se pela cidade com o respeito à distância necessária para evitar contaminações, o professor Bernardo Mello, do Instituto de Física (IF) da Universidade de Brasília, começou a prospectar qual seria o tamanho do impacto da movimentação de transeuntes e como isso poderia ser organizado da melhor forma.

Nascia o estudo One-way pedestrian traffic is a means of reducing personal encounters in epidemics [O tráfego de pedestres unidirecional como meio de reduzir os encontros pessoais em epidemias, em tradução livre], que chegou a uma importante conclusão: durante períodos de contágio epidêmico, pedestres deveriam andar em um sentido único nas calçadas – como os carros nas avenidas – para diminuir o número de cruzamentos entre eles e assim reduzir a chance de contato físico.

Professor Bernardo Mello criou modelo matemático e programa de computador que simula o movimento de pedestres. Conclusão: pessoas deveriam andar em um sentido único nas calçadas durante pandemia da Covid-19. Foto: Arquivo pessoal

NÃO CORRER! – A pesquisa vai além e demonstra que os que caminham devem ser separados dos que correm, nos locais comuns às práticas de esportes ao ar livre. Essa organização, segundo Mello, reduziria para um quinto os cruzamentos que ocorreriam se os pedestres estivessem livres para transitar em qualquer direção, e em um sétimo os cruzamentos na hipótese dos corredores serem proibidos de circular em meio aos que apenas caminham.

“A pesquisa não aborda de forma específica o novo coronavírus, mas tem por objetivo mostrar que organizar o trânsito de pedestres reduz o encontro de pessoas em direções contrárias, o que pode diminuir o contágio de doenças”, explica o docente.

O estudo pode ser aplicado para tentar frear a disseminação de qualquer enfermidade em que exista a preocupação de se evitar o contato físico voluntário ou involuntário entre indivíduos.

“Quanto mais pessoas se encontram pelo caminho, maior a chance de haver transmissão da doença. Como o vírus fica no ar por um certo tempo, ao passar por muitas pessoas diferentes, mesmo que por pouco tempo, quem tem o vírus pode contaminar outra pessoa”, explica Mello. 

O professor ressalta que o estudo não depende dos detalhes de transmissão, desde que se assuma que ela pode ocorrer quando as pessoas passam umas pelas outras nas ruas. Isso porque, ao se cruzar, os pedestres podem começar a conversar, caso se conheçam, ou podem esbarrar uns nos outros, aumentando as chances de contato e, consequentemente, de transmissão de doenças.

METODOLOGIA – Primeiramente, a pesquisa investigou com quantas pessoas um pedestre cruza ao caminhar e correr. Para isso, o professor Bernardo Mello usou dados conhecidos sobre velocidade média e desvio padrão de pessoas que caminham (média de 5 km/h) e que correm (média de 10 km/h) para criar um modelo matemático e um programa de computador que simula o movimento.

Segundo as simulações, quando 500 pessoas andam e correm livremente em uma pista de 5 km em um parque, por exemplo, elas cruzam, em média, com 13 pessoas a cada minuto. Se os indivíduos somente caminharem, o número de cruzamentos cai para 9,25 por minuto. Se, além de caminhar, os pedestres andarem em um único sentido, os cruzamentos caem para 1,7 por minuto.

Ou seja, parar de correr e somente caminhar em sentido único reduziria o número de cruzamentos para um sétimo. Uma das conclusões práticas do estudo é a de que, quando os parques públicos reabrirem, o ideal é que as pessoas andem somente na mesma direção e não corram. “A medida pode ser facilmente adotada em locais como o Parque da Cidade, e reduziria o nível de contaminação”, defende.

O gráfico abaixo ilustra o número médio de cruzamentos por minuto entre 500 pessoas que usam simultaneamente uma pista de 5 km. A pista pode ser compartilhada entre corredores e caminhantes ou ser exclusiva para caminhantes.

O gráfico mostra o número médio de cruzamentos por minutos entre 500 pessoas que usam simultaneamente uma pista de 5 km. A pista pode ser compartilhada entre corredores e caminhantes ou ser exclusiva para caminhantes. Imagem: Arquivo pessoal.


“Daqui a alguns meses, se o governo resolver que é importante reabrir os parques para as pessoas se exercitarem, ele pode estipular a regra de que é proibido correr e andar em sentidos contrários. Assim, a quantidade de cruzamentos cai para um sétimo”, resume Bernardo de Mello.

O professor pondera que, antes mesmo da reabertura de parques, a medida já poderia ser aplicada nas quadras da cidade, em calçadas normalmente usadas para caminhadas. “Na Asa Sul, por exemplo, existem calçadões nas 300 e nas 100, onde a população costuma caminhar. Ficaria estipulado que os calçadões das 300 vão em um sentido e os das 100 vão no outro. Assim, as pessoas podem continuar andando, com menor chance de contágio”, propõe.

De acordo com Mello, a medida seria importante, pois poderia ajudar a população a ter um retorno controlado à normalidade, oferecendo um impacto positivo na qualidade de vida e reduzindo riscos de contaminação.


O artigo do professor Bernardo Mello está num repositório internacional de pré-print, já foi divulgado e submetido para publicação em uma revista internacional.

Texto de Marina Simon para o Blog do PAULO MELO.
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Blog do Paulo Roberto Melo

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