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Exemplo de superação, empresária do DF conta como transformou 500 reais em 3 milhões


Cinco de outubro é o Dia do Empreendedor, uma homenagem à criação do Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, de 1999. Desde então, é possível ver o empreendedorismo tomando cada vez mais forma no Brasil.

Em números, nem mesmo a crise causada pela pandemia foi capaz de frear a escalada. Novo Boletim do Mapa de Empresas do Ministério da Economia, divulgado na última quinta-feira (30/09), revela que o Brasil obteve recorde no número de empresas abertas em um quadrimestre, alcançando a marca de 1,4 milhão de novos negócios, de maio a agosto de 2021. Nesse período, o saldo positivo de empresas em funcionamento chegou a 936.229. O saldo é a diferença entre todos os negócios abertos (1.420.782) e fechados (484.553) no período. O total de empresas ativas no Brasil é de 18.440.986.

De acordo com a pasta, o ambiente de negócios no país também apresentou desempenho positivo com relação ao tempo de abertura. A média registrada no segundo quadrimestre de 2021 foi de 2 dias e 16 horas. 13 horas a menos do que o registrado nos primeiros quatro meses do ano. Entre as capitais mais ágeis para abrir uma empresa estão Goiânia (GO), Maceió (AL), Curitiba (PR), Natal (RN) e Brasília (DF). Todas com tempo menor que dois dias. "Se antigamente era muito complicado abrir uma empresa, hoje é possível fazer 100% on-line se for uma MEI, por exemplo", destaca o professor Erlano Marques Ribeiro, Coordenador do curso de Administração do Centro Universitário IESB.

O especialista explica que a abertura e o gerenciamento de um novo negócio exigem um conjunto de habilidades e conhecimentos, como entender o mercado, o público e planejar cada etapa. Uma boa administração considera também estratégias de marketing, um fluxo de caixa controlado e passa, ainda, por muita criatividade e inovação. Não há uma "receita de bolo" que garanta lucros, por isso, é preciso muito trabalho para vencer os desafios do empreendedorismo. "O primeiro passo para abrir uma empresa é criar um plano de negócio. Nele, o interessado vai definir, de fato, em qual mercado vai atuar, o orçamento que vai dispor e assim por diante. Sem ele não dá para seguir em frente no empreendimento. Em seguida, é importante identificar se a empresa terá sócios e se será individual ou limitada. É importante ainda ter um contador. Não só pela questão fiscal, mas também normativa, pois fazer a contabilidade da própria empresa não é a melhor saída", orienta Erlano.

É preciso também identificar a natureza jurídica do novo empreendimento, bem como o planejamento de tributos. "Muitos empresários iniciantes vão optar pelo planejamento tributário do Simples, o mais comum. Mas isso depende ainda do faturamento e o papel do contador é justamente orientar o empreendedor nesses aspectos", reforça o professor.

Mas é importante não esperar resultados imediatos. "Um novo empreendimento é como se fosse uma criança aprendendo a andar. Ele vai aprender a correr, mas é preciso esperar e estar preparado para este tempo até que a empresa comece a ter o retorno de determinados investimentos, inclusive financeiros", explica o professor Erlano ao destacar ainda a importância do uso dos meios tecnológicos no marketing digital e divulgação da marca.

Outra dica do especialista é desenvolver um bom relacionamento com os clientes e um plano de negócio bem estruturado vai ajudar neste processo. "É importante nunca parar. Sempre atualizar o planejamento, pensar no futuro, observar os resultados atuais e imaginar o que pode ser feito para melhorar. Para isso, podemos observar o ambiente externo, como também o interno, capacitar os colaboradores e melhorar o local de trabalho, seja na infraestrutura ou mesmo na aquisição de novas tecnologias. Tudo isso visando estar sempre no topo, buscando não perder clientes que achem concorrentes melhores", orienta o professor.

Cuidado com a síndrome do impostor
Abrir uma empresa gera várias situações estressantes. Seja ao criar o logotipo, abrir o CNPJ ou achar um local físico, o empreendedorismo traz decisões diárias que deixam qualquer empresário de primeira viagem inseguro. Por mais confiante que ele seja, dúvidas e incertezas fazem parte do processo de abertura da empresa. Se não for controlada, essa incerteza pode virar um ciclo de negatividade, também chamado de síndrome do impostor. A gente olha e pensa que não somos capazes. Ou ainda, "eu sou um impostor fazendo uma coisa que eu não teria condições de fazer". Para superar esses desafios, o professor Erlano também sugere algumas estratégias. "Uma delas é não fazer comparações, pois cada pessoa é única. Inclusive, a pandemia nos mostrou que a gente precisa ser inovador e pensar fora da caixinha. Aceitar elogios também é importante, pois com eles podemos desenvolver nossos pontos fortes. Afinal de contas, se a pessoa está elogiando ela tem uma razão para dizer isso", orienta.

Aprenda a se reinventar sempre
Ter uma rede de apoio também é fundamental. Ela promove apoio e orientações sobre como fortalecer a marca, não fechar e até sair de crises, como a atual pandemia. É preciso verificar também as políticas públicas de suporte ao empreendedor. São várias e elas variam conforme o tempo: bancos, o próprio BNDES, linhas de créditos mais facilitadas e outros que sejam regionais. Há ainda entidades que proporcionam seminários, congressos, palestras e cursos gratuitos dentro da área de conhecimento do empreendedorismo e isso é uma importante rede de apoio. Até porque o networking feito nesses cursos pode levar o empresário a criar um sistema de união e cooperação, ajudando-o a se safar de determinadas dificuldades.

"O empreendedor não é um aventureiro. Ele é resiliente e essa palavra tem que estar na frente de cada um que busca empreender. Se olharmos os exemplos de grandes empresários, percebemos que nenhum deles começou com sucesso. Errar faz parte do processo. São as experiências que fomentam uma grande empresa", conclui o professor Erlano.

História de sucesso: 500 reais em 3 milhões
Exemplo de superação, a empresária Carla Gomes Silva Alves graduou-se em Administração no IESB em 2020 e hoje já está no quinto semestre do curso de Biomedicina. Ela destaca a importância da formação acadêmica para se diferenciar em um mercado tão competitivo.

Em 2009, ela realizou o sonho ao abrir a sua empresa de estética. "A minha trajetória empresarial foi marcada por muitos percalços. Tive a oportunidade de perceber que clientes em potencial saiam de Ceilândia a procura de serviços estéticos em outras regiões administrativas. Essa carência fez com que eu pensasse em um plano estratégico para explorar esse mercado", conta Carla, que na época estava doente e sem capital nenhum.

Mas a vontade de abrir seu próprio negócio era maior que as dificuldades. "Pedi 500 reais emprestado com minha mãe e dei início ao meu grande sonho de ter um centro de estética", conta Carla. A empresa que começou em um quarto de casa, com a ajuda de uma amiga esteticista, logo cresceu. "Com sete meses de um bom atendimento e a estética humanizada sendo um diferencial, eu vi a necessidade de mudar para um local maior de 50 metros quadrados e o faturamento triplicou. Investi em marketing, novos equipamentos, mais colaboradores e devolvi a mobília e o dinheiro emprestado para minha mãe. Hoje a empresa ocupa um andar inteiro de 100 metros quadrados em Ceilândia Sul, ganhamos vários prêmios do SEBRAE-DF e Nacional, como o Prêmio Mulher de Negócios. Com mais de 10 anos, já faturamos mais de 3 milhões. Lançamos o Plano de estética inteligente, já com mais de 140 contratos fechados por mês e ampliamos a carteira de serviços no quesito harmonização facial e corporal", conta a proprietária da EBM Centro Especializado em Estética. "Queremos agora alavancar mais unidades da empresa e credenciar outras clínicas no DF e Brasil. Hoje posso dizer que consegui transformar 500 reais em 3 milhões", comemora a empresária.
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