Raoni Sales, especialista em direito empresarial, analisa o aumento dos pedidos de recuperação judicial no agro
O agronegócio brasileiro registrou aumento de 56% nos pedidos de recuperação judicial, totalizando 1.990 solicitações, em um cenário de pressão financeira provocado por fatores como instabilidade climática, alta dos custos de produção e variação de preços. Goiás é o segundo estado com mais casos (296), atrás apenas de Mato Grosso.
O cenário também indica que a maior parte dos pedidos parte de produtores pessoa física (853), o que demonstra que a crise não atinge apenas grandes empresas, mas também produtores individuais, que tendem a ser mais vulneráveis às oscilações do mercado. O cenário demonstra que os impactos se espalham por toda a cadeia do agronegócio.
A recuperação judicial, prevista na Lei nº 11.101/2005, surge como um instrumento legal para reorganização das dívidas e continuidade das atividades.
De acordo com Raoni Sales, a recuperação judicial pode ser decisiva em momentos de instabilidade. “A recuperação judicial deve ser vista como uma ferramenta estratégica de gestão, que permite ao produtor reorganizar seu passivo e manter a atividade em funcionamento, mesmo diante de um cenário adverso”, afirma.
O especialista também ressalta a importância da organização financeira. “Manter uma contabilidade atualizada e bem estruturada é fundamental, pois facilita o acesso ao instrumento jurídico e aumenta significativamente as chances de uma reestruturação eficiente”, explica.






