Com crescimento de 12% ao ano no Brasil, setor de luxo vê avanço do menswear e mudança no perfil de consumo masculino
Relatórios recentes de mercado reforçam uma mudança estrutural no consumo de moda masculina premium: a saída da lógica da ostentação para uma abordagem mais funcional e alinhada ao estilo de vida. Estudos da Business Research Insights e da Dataintelo apontam que o crescimento global do menswear de luxo vem sendo impulsionado pela demanda por peças versáteis, confortáveis e adaptáveis a diferentes ocasiões, refletindo um consumidor mais racional, que prioriza utilidade, durabilidade e performance sem abrir mão da estética.
No Brasil, os números reforçam esse movimento. O mercado de luxo ultrapassou a barreira dos R$ 100 bilhões em 2025 e deve alcançar entre R$ 120 bilhões e R$ 130 bilhões em 2026, segundo projeções da Bain & Company e outras consultorias. Entre 2022 e 2024, o setor cresceu, em média, 12% ao ano, quatro vezes acima da média global, estimada em cerca de 3%, consolidando o país como um dos mercados mais dinâmicos do mundo.
Dentro desse cenário, a moda masculina ganha protagonismo. A expectativa é que o segmento atinja cerca de US$ 34,4 bilhões até 2030, com crescimento anual de 3,3% a partir de 2025. Ao mesmo tempo, o perfil do consumidor também muda: Millennials e Geração Z já representam cerca de 35% do consumo de luxo no país e devem ultrapassar os 45% em 2026, trazendo uma mentalidade mais pragmática e orientada a valor.
Essa transformação já é percebida diretamente no ponto de venda. Dados de mercado indicam que o ticket médio masculino no e-commerce (R$ 458) já supera o feminino (R$ 353), evidenciando um homem mais criterioso e disposto a investir em peças com maior valor agregado. Esse movimento já impacta diretamente o desenvolvimento de produto e a estratégia de marcas como a AKR Brands, holding de moda masculina que engloba King&Joe, King&Joe Play e K&J Black.
Segundo Fabiano Monteiro, head de estilo da companhia, a mudança é perceptível no comportamento do cliente. “Existe uma migração evidente do consumo por status para o consumo por utilidade. O homem hoje busca um guarda-roupa mais inteligente, com peças que funcionem em diferentes contextos, sem excesso”, afirma. A leitura se materializa principalmente na K&J Black, linha da marca voltada à essenciais e sofisticados.
Nesse cenário, o conceito de moda premium também se transforma. Deixa de estar atrelado apenas à exclusividade e passa a incorporar atributos como conforto, praticidade e tecnologia, em linha com o avanço do chamado “quiet luxury”, que privilegia qualidade e discrição em detrimento da ostentação.
A mudança também altera a lógica de coleções. Em vez de grandes volumes, a marca aposta em drops mais enxutos e complementares, com peças que se conectam entre si e ampliam possibilidades de uso. O foco está nos chamados “básicos elevados”, tendência diretamente ligada ao crescimento de um consumidor mais criterioso e orientado por valor de uso.
Os tecidos tecnológicos passam a ser centrais nessa nova definição de moda premium masculina. Materiais com respirabilidade, elasticidade e fácil manutenção acompanham a busca por peças que entreguem performance no dia a dia. “O cliente quer conforto e praticidade sem abrir mão de imagem. A tecnologia viabiliza isso”, diz Fabiano.
Um dos reflexos mais claros desse comportamento é o travel pack desenvolvido pela AKR. O conceito surge em linha com outra transformação relevante do mercado: hoje, entre 35% e 40% do orçamento premium já é destinado a experiências, como viagens, gastronomia e bem-estar, e não apenas a produtos físicos. Nesse contexto, peças versáteis, que acompanham diferentes ocasiões, tornam-se essenciais. “É sobre mobilidade com identidade. O cliente quer estar preparado para diferentes situações com o mínimo de esforço”, explica.
Além da funcionalidade, a relação com a roupa também muda. O consumo passa a ser mais orientado por identidade do que por status, exigindo das marcas um design mais autêntico e menos baseado em códigos explícitos de luxo.
Para Fabiano, o movimento é estrutural e deve se intensificar nos próximos anos. “O consumidor está mais criterioso. Ele quer consistência entre produto, proposta e estilo de vida. O premium hoje está muito mais ligado à utilidade do que à exibição”, conclui.
Sobre a AKR Brands
A AKR Brands é uma holding de multimarcas de moda masculina fundada por Allan Soares e Rafael Miranda, com atuação nacional por meio das marcas King&Joe, King&Joe Play e K&J Black. Hoje, a empresa está entre as maiores plataformas de moda masculina no atacado do Brasil, com presença em mais de 2,5 mil pontos de venda em todo o país. Com produção própria em Londrina (PR), a AKR valoriza a combinação entre design autoral, tecidos de alta qualidade com tecnologia têxtil e modelagens que equilibram conforto e estilo. Suas marcas traduzem a pluralidade do homem brasileiro, com peças pensadas para o dia a dia real, mas com informação de moda. A AKR se diferencia pela capilaridade no varejo multimarcas, pela experiência de compra acessível e pela construção de um ecossistema que une capacitação de parceiros, inovação digital e colaborações criativas com artistas e marcas independentes. Seu posicionamento é urbano, contemporâneo e conectado com a evolução do comportamento masculino.
Moda premium masculina troca ostentação por funcionalidade e redefine consumo no Brasil
PorPaulo Melo
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