Os Conselhos Temáticos de Infraestrutura (Coinfra) e de Agroindústria (CTA) da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) visitaram na quarta-feira (30/9) a planta industrial da Friato, em Pires do Rio, no Sudeste goiano. O propósito da iniciativa, realizada sistematicamente em polos industriais do Estado, é conhecer de perto as empresas, escutar demandas e estreitar laços entre a federação e o setor produtivo.
A comitiva, liderada pelos presidentes Célio Eustáquio de Moura (Coinfra) e Marduk Duarte (CTA), foi recebida pelo diretor comercial, Gustavo Tomazini, e pela supervisora de Endomarketing, Franchesca Nunes. Para Marduk, o encontro salienta “a importância de industrializar o agro em Goiás”. Célio Eustáquio reforçou a importância da Fieg estar próxima do chão de fábrica, como “uma forma de conhecer as demandas e se colocar à disposição para atuar juntamente das indústrias em busca de melhoria nas condições de logística e infraestrutura”.
Da agricultura familiar à indústria
A Friato pertence ao Grupo Tomazini, empresa de origem familiar que já está em sua terceira geração e chegou a Goiás em 1979, com a aquisição de uma propriedade em Ipameri, na mesma região. Atualmente, a operação da empresa é verticalizada: o grupo planta soja, tem fábrica de rações, incubatório próprio e granjas de matrizes.

Segundo Gustavo Tomazini, a empresa é autossuficiente em ovos e pintinhos, mas compra de 5% a 10% de fora para renovar a genética. Atualmente, os armazéns de grãos somam cinco unidades em um raio de 100 quilômetros. Cerca de 30% dos grãos ficam na região da fábrica e 70% no Piauí, onde o grupo também mantém operação e planeja iniciar plantio próprio de uma fazenda em 2028.
Tomazini também informou que a capacidade de abate está estabilizada há três anos, com variação de entre 480 e 500 mil aves por dia, de segunda a sexta. A operação funciona em dois turnos de abate, além de outro para higienização e manutenção.
Mercados e portfólio
O dirigente também relatou que a especialidade da empresa são cortes congelados e que os produtos são distribuídos em todo o território nacional, com foco nas regiões Norte e Nordeste. Na exportação, a empresa atende a vários países da América do Sul e possui quase 80 habilitações, com vista a conquistar a habilitação chinesa no próximo ano.
O portfólio também inclui industrializados, como mortadelas, defumados, linguiças, calabresas e processados de frango, que foram a inclusão mais recente na carta de produtos, em 2025.
Qualidade e certificações
Gerente de qualidade e médico veterinário da indústria há 18 anos, Luciano Mello informou que a Friato mantém 22 programas de autocontrole, exigidos pelo Ministério da Agricultura. Tem ainda a certificação britânica BRCGS, conquistada em julho, com segunda etapa prevista para janeiro, e certificação para abate halal. Segundo ele, o processo deve ser estendido às demais fábricas do grupo, a começar pela área de aves.

A empresa possui dois laboratórios, de microbiologia e de análises físico-químicas, que realizam cerca de 30 mil análises por mês. O primeiro é certificado pela ISO 17025 e o outro deve ser certificado no próximo ano. A planta conta ainda com serviço permanente de inspeção federal.
Energia, resíduos e biomassa
Quanto ao fornecimento e produção de energia, os aviários têm produção própria de energia fotovoltaica, enquanto a fábrica compra energia no mercado livre. Incubatórios e a área de escaldagem contam com geradores a diesel para garantir o funcionamento sem interrupção. Os resíduos sólidos são queimados em caldeiras e a empresa procura incentivar o plantio de árvores para produção de biomassa de eucalipto na região, além de manter áreas próprias.
O debate também incluiu a importância da biomassa na produção e a demanda atual do setor produtivo no Estado pela matéria. Marduk Duarte também encaminhou à Friato o Plano Diretor Florestal de Goiás, que visa à implantação da cadeia de silvicultura.
Chão de fábrica
Guiados por Luciano Mello, a comitiva da Fieg acompanhou o processo do corte ao embalamento final, com o roteiro indo da sala de corte à sala de resfriamento, finalizando na expedição, com o produto pronto para seguir aos mercados. O gerente de qualidade explicou que os produtos que não atendem aos critérios de qualidade para consumo humano são separados e encaminhados para a produção de alimentos para pets. Já a fábrica de farinhas e óleos processa vísceras e penas para a fabricação de ração.
A planta tem túnel de congelamento automático (TCA), com 40 níveis, onde os produtos são mantidos em temperaturas entre -12 °C e -16 °C. O produto destinado à exportação sai em 50 horas e o do mercado nacional, em 25 a 28 horas.





